Que os estilos de vida que adotamos influenciam de forma decisiva a nossa saúde já todos sabemos. Também é certo que eles são ainda mais importantes nas crianças porque elas estão a crescer e têm necessidades específicas que devem ser garantidas e porque os hábitos adquiridos nesta altura são os que, muito provavelmente, se vão manter na idade adulta (influenciando, por isso, a saúde ao longo de toda a vida).
Uma criança que, habitualmente, faz uma alimentação saudável (ou seja completa, variada e equilibrada), pratica actividade física regular e tem hábitos de sono saudáveis será, com certeza, uma criança mais saudável do que outra que tenha hábitos de vida opostos. Um estilo de vida é, por definição, algo que fazemos ao longo do tempo e de forma continuada e é essa consistência que tem um impacto positivo no desenvolvimento da criança e na sua saúde a curto, médio e longo prazo. Também é essa consistência que permite que, de vez em quando, em momentos especiais e específicos do ano, possam haver excepções e que a criança possa, por exemplo, comer mais doces do que o habitual sem que haja uma consequência significativa na saúde (logo que existam limites de quantidades, de tempo e frequência). Sabemos que é isto que acontece na Páscoa: haverá alguma casa portuguesa que não tenha um ovo de chocolate por esta altura do ano? Se existirem não hão-de ser muitas e, tudo bem, faz parte. Mas isto não deve ser desculpa para fazer da excepção a regra ou para, ao longo de todas as férias, as crianças alterem por completo os seus hábitos, principalmente, se eles forem hábitos saudáveis. Antes pelo contrário! Vejamos: se há a tendência para a ingestão de mais doces, não podemos permitir que, por estar de férias, a criança fique menos ativa fisicamente. A actividade física é essencial e deve manter-se nas férias, até porque, sem aulas, há mais tempo livre. Então que a criança utilize esse tempo extra para se mexer!
Aqui ficam algumas ideias de atividades para esta Páscoa:
- Aproveitar os momentos em família para fazer uma sessão de dança: procure coreografias na internet e desafiem-se num concurso caseiro.
- Se a meteorologia deixar, façam caminhadas ou passeios de bicicleta.
- Jogos sem fronteiras dos ovos: e se, em vez da habitual caça aos ovos, fizer um conjunto de jogos que a criança tem que fazer para ganhar os seus ovos (pode ser saltar à corda durante um minuto, fazer x flexões ou y agachamentos…).
- Jogo “o salto do coelho”: tão simples como colar 2 tiras de fita adesiva no chão lá de casa. Primeiro as tiras têm uma distância reduzida entre elas e depois a distância vai aumentando para tornar o desafio maior. A criança deve saltar por cima das duas fitas. Para tornar a brincadeira mais divertida podem colocar uma bandolete com orelhas e pintar uns bigodes de coelhinho na cara.
- Jogo “ovo na colher”: este todos conhecem mas, como é Páscoa, podem utilizar pequenos ovos de chocolate. Definam um percurso que seja desafiante para a(s) sua(s) criança(s) e ela(s) tem(têm) que o percorrer tendo na boca uma colher de sopa com um ovinho sem o deixar cair. O percurso deve ser feito o mais rápido possível.
Acima de tudo lembre-se sempre que a virtude está no equilíbrio e que têm mais impacto as escolhas que fazemos a longo prazo do que o que fazemos em 1 ou 2 dias.

Cátia Gouveia Miguel
Nutricionista Auchan Especialista em Nutrição Comunitária e Saúde Pública – Ordem dos Nutricionistas Nº 1757N