Deixar de fumar e aumento de peso. Saiba porque estão ligados!

No dia 31 de Maio, comemora-se o Dia Mundial Sem Tabaco. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabaco é responsável pela morte de 7 milhões de pessoas, anualmente1. Em 2016, morreram em Portugal mais de 11.800 pessoas, por doenças atribuíveis ao tabaco.

Fumar é a primeira causa evitável de doença, incapacidade e morte prematura nos países desenvolvidos.

Está ainda associado a seis das oito primeiras causas de morte, mundialmente. Adicionalmente, é responsável por:

  • diminuição da imunidade
  • aumento do risco de doenças cardiovasculares, infeções respiratórias, cancro do pulmão e de morte por tuberculose
  • diminuição da fertilidade
  • aumento de riscos para o desenvolvimento fetal e complicações perinatais
  • envelhecimento prematuro2

Os fumadores apresentam uma maior insulinorresistência do que os não fumadores3. Assim como níveis plasmáticos mais elevados de triglicéridos e níveis mais baixos de colesterol HDL (o chamado bom colesterol)4.

Cerca de 16,8% dos residentes em Portugal fumam diariamente5.

Isto impõe um elevado custo, tanto para o indivíduo como para a sociedade e sistemas de saúde. Felizmente, dados mostram que 80% dos fumadores expressam o desejo de parar de fumar6.

O número de consultas de apoio à cessação tabágica, realizadas no SNS (Sistema Nacional de Saúde) tem vindo a aumentar.

Assim como o número de locais de consulta. Em 2016, foram realizadas cerca de 31.800 consultas de apoio intensivo à cessação tabágica, ao nível dos ACES (Agrupamento de Centros de Saúde) e unidades hospitalares do SNS2. Este apoio intensivo é realizado ao longo de várias sessões, por uma equipa multidisciplinar. Idealmente constituída pelo médico, enfermeiro, psicólogo e nutricionista7.

O ganho ponderal após a cessação tabágica (média de 4 a 5 kg, após 12 meses de cessação) ocorre em cerca de 84% dos fumadores em cessação.

É citado como o principal obstáculo para parar de fumar e recaída. O aumento ponderal ocorre, tanto devido a um aumento da ingestão, como por uma diminuição do metabolismo6.

A nicotina, composto presente no cigarro, reduz o apetite, e consequentemente, o consumo de alimentos.

Além disso, aumenta a taxa metabólica em 5 – 10%8. Por outro lado, está ligada à libertação das chamadas “hormonas do prazer” – serotonina e dopamina. Estas, por sua vez, têm ação na redução do apetite4.

Desta forma, a ingestão de alimentos prazerosos aumenta após a privação de nicotina.

Especialmente açúcares e gorduras, que levam à libertação de substâncias idênticas no cérebro. Muitas vezes, este comportamento é uma recompensa à abstinência4,8. Por outro lado, ocorre uma melhoria no paladar e olfato, aumentando o prazer associado ao ato da alimentação. A necessidade de ter algo na boca é também apontada como causa para o aumento da ingestão9.

Assim, é conhecido que, mesmo que os fumadores não aumentem o aporte energético durante a cessação, a maioria aumentará de peso6.

No entanto, é consensual que os benefícios da cessação do consumo de tabaco superam eventuais riscos que o aumento de peso modesto possa ter7.

No período habitual do aparecimento dos sintomas de abstinência (normalmente os primeiros 3 meses) deverá concentrar-se na cessação e não no controlo do peso7.

Sendo assim, a fome e os desejos por cigarro estão relacionados, o que pode resultar numa maior necessidade de fumar10. Apesar disto, poderá adquirir, desde o início do processo, estilos de vida saudáveis, através da aquisição de hábitos alimentares saudáveis e uma atividade física regular6,7.

Conheça as nossas dicas para deixar de fumar e controlar o peso.

Referências bibliográficas:
  1. World Health Organization. WHO report on the global tobacco epidemic, 2017: monitoring tobacco use and prevention policies. World Health Organization. Geneva; 2017. 1-263 p.

  2. Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo. Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo 2017. DGS. Lisboa; 2017.

  3. Inoue K, Takeshima F, Kadota K, Yoda A, Tatsuta Y, Nagaura Y, et al. Early Effects of Smoking Cessation and Weight Gain on Plasma Adiponectin Levels and Insulin Resistance. Intern Med. 2011;50(7):707–12.

  4. Harris KK, Zopey M, Friedman TC. Metabolic effects of smoking cessation. Nat Rev Endocrinol. 2016;12(5):299–308.
  5. Instituto Nacional de Estatística. Inquérito Nacional de Saúde 2014. INE. Lisboa; 2016. 310 p.
  6. Tobacco Use and Dependence Guideline Panel. Treating Tobacco Use and Dependence: 2008 Update. Clinical Practice Guideline. Rockville, MD: U.S. Department of Health and Human Services. Public Health Service; 2008.
  7. Simas P, Marinho AR, Dias T. Cessação Tabágica e Ganho Ponderal – Linhas de Orientação. Lisboa: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, DGS; 2015. 20 p.
  8. Kmetova A, Kralikova E, Stepankova L, Zvolska K, Blaha M, Sticha M, et al. Factors associated with weight changes in successful quitters participating in a smoking cessation program. Addict Behav. 2014;39(1):239–45.
  9. Komiyama M, Wada H, Ura S, Yamakage H, Satoh-Asahara N, Shimatsu A, et al. Analysis of Factors That Determine Weight Gain during Smoking Cessation Therapy. PLoS One. 2013;8(8):4–9.
  10. Farley AC, Hajek P, Lycett D AP. Interventions for preventing weight gain after smoking cessation. Cochrane Database Syst Rev. 2012;(1).

Dalila Abreu
Nutricionista Estagiária Jumbo
Membro da Ordem dos Nutricionistas nº 2691NE