Como ser mais sustentável nas rotinas diárias, fora de casa

Sustentabilidade fora de casa
2024

Há várias razões para tornar as rotinas mais sustentáveis. Para alguns é uma questão de responsabilidade para com o ambiente, para outros uma questão de racionalidade e até de poupança. E se é verdade que o alcance das mudanças individuais é limitado – as políticas municipais e a lei têm um papel mais facilitador da mudança em larga escala – formar uma consciência sustentável e dar esse exemplo é um bom primeiro passo. 

Os hábitos sustentáveis em casa são a incubadora ideal rotinas sustentáveis fora de casa. Para estas últimas, ficam aqui algumas ideias. 

Repensar o carro

Não abolir, mas sim repensar. Quantas vezes usa o carro por semana, e para quê? Quais seriam as alternativas viáveis? É certo que se tem que apanhar três autocarros para chegar ao trabalho, ou se a mercearia mais próxima fica a 5km, usar o carro faz todo o sentido. Mas se a diferença passa por acordar 15min mais cedo ou juntar todas as compras pesadas na mesma ida ao supermercado, a escolha de não usar tanto o carro fica mais fácil. Procure juntar todas as voltas a dar com o carro no mesmo dia, libertando os restantes do tempo passado no trânsito e do stress para arranjar um lugar de estacionamento. 

No que toca à decisão que envolve comprar e manter um carro, há muito por onde avaliar a sustentabilidade. Não há respostas certas nem definitivas e a solução ideal para cada família é diferente. Às vezes pode fazer mais sentido manter um carro antigo, mas em bom estado em vez de comprar outro, por muito ecológico que este seja. Noutras, a troca pode ser bem-vinda, tanto pela mudança de estilo de vida, da fase em que está a família, ou dos problemas que o carro antigo dá. O mais importante é tomar uma decisão racional, que tenha em conta os percursos feitos com o carro, em que contexto e com quantas pessoas. 

Para lá do carro

  • Trocar o carro por meios de transporte alternativos também pode fazer sentido. Uma mota pode ser uma opção mais em conta e menos poluente para as voltas na cidade. As trotinetas e bicicletas também podem ser uma ajuda na hora de se deslocar. 
  • Usar os transportes públicos é muitas vezes uma opção. É certo que os horários – e os seus constantes desajustes – não são sempre compatíveis com os compromissos. Mas quando há essa possibilidade, porque não optar por vir tranquilo, sem pensar no percurso nem no trânsito.

É uma questão de pesar custos e benefícios, e perceber de quanto conforto está disposto a abdicar para ter as vantagens da opção mais sustentável. 

E que tal sem rodas?

Caminhar é a forma mais primordial de nos deslocarmos, e de longe a mais sustentável. Além de não poluir ainda contribui para os níveis de atividade física diários. A reflexão aqui poderá ser: quanto tempo ou distância aceita andar a pé? Em que condições? O truque está no contexto. Muitas vezes no nosso bairro pegamos no carro para ir a todo o lado, mas depois vamos fazer caminhadas nas férias, com horas seguidas a caminhar por montes e vales em todos os climas. E se os argumentos da poluição e do contexto de trabalho – ninguém quer chegar amarrotado e a suar ao escritório de manhã – são válidos, a verdade é que há momentos em que andar de um sítio para o outro faz mais sentido que ir de carro. 

É interessante o quanto sub-valorizamos o prazer de caminhar na nossa própria zona, passar pelas mesmas pessoas todos os dias e cumprimentá-las, descobrir lojas e cafés. Quão irónico é, fugirmos justamente daquilo que procuramos quando visitamos uma cidade pela primeira vez. Queremos “viver como locais”, passear nas ruas, ver as montras e observar quem passa. Mas quantos de nós somos realmente “locais” no nosso bairro? 

Em viagem

Em percursos maiores dentro do país, tente optar por transportes públicos, sempre que se consiga adaptar aos horários. Não só pode utilizar as horas de percurso para outras coisas – trabalhar, por exemplo. Ou descansar, para os mais excêntricos – como poupa no cansaço de dar atenção à condução e ao caminho. 

Genericamente o comboio será mais sustentável que o avião. No entanto, os preços nem sempre ajudam, pois há voos mais baratos que as viagens de comboio equivalentes. Mas sempre que puder pense nas várias alternativas antes de decidir em piloto automático. 

Evitar descartáveis e objetos de uso único

Um pequeno conjunto de objetos reutilizáveis pode poupar muitos descartáveis. Uma garrafa e uma chávena de café num escritório poupam centenas de copos e garrafas por ano. Quem disponibiliza chá, café ou água para os clientes também pode poupar muito usando loiça. O mesmo acontece quando se encomenda comida para casa. Peça especificamente para vir sem talheres, guardanapos e outros extras que normalmente ficam acumulados até inevitavelmente irem para o lixo. Melhor ainda, se puder vá buscar a encomenda à loja e leve o seu próprio recipiente e saco. 

Falando em sacos, nada como prescindir deles sempre que possível e ter alguns reutilizáveis à mão. Seja no carro, para compras grandes, seja na mala para o que der e vier, ou mesmo em viagem, para tudo e mais alguma coisa. 

Também em viagem, uma garrafa reutilizável poupa muitas de plástico. Dependendo do contexto, os outros básicos alimentares – talheres, caixas recicláveis ou invólucros para sandes – também podem ser úteis. 

Em trabalho e nas burocracias gerais da vida, procure evitar o desperdício de papel, mantendo e formato digital tudo o que for possível. Se quiser ir mais além, pode inclusivamente destralhar digitalmente, apagando tudo o que já não fizer sentido manter. 

Não se deixe levar pelas novidades

A tecnologia atual é feita segundo um princípio de obsolescência programada, isto é, ao fim de um certo tempo o hardware começa a deteriorar-se e o software deixa de ser compatível com algumas funcionalidades e aplicações, ou fica de tal forma lento que deixa de ser razoável utilizá-lo. Ainda assim, é muito frequente a troca de aparelhos por uma versão mais moderna muito antes de esta obsolescência se fazer sentir. 

Se realmente precisa do último modelo de telemóvel ou computador para o seu trabalho, vá em frente, mas a grande maioria das pessoas não precisa de tanta atualização. Procure tirar o máximo partido dos seus dispositivos, até porque o investimento é grande. No caso de trocar por um mais recente, pondere procurar no crescente mercado de aparelhos recondicionados. São mais baratos e mais sustentáveis, uma vez que dará nova vida a um aparelho que de outro modo seria desperdiçado.

Seja agente de mudança

Em Portugal não temos muito historial de nos fazermos ouvir junto dos decisores da nossa comunidade. Não obstante, existem meios e plataformas para o fazer, algumas mais simples que outras. Alguns exemplos disso são as plataformas de petições e o orçamento participativo, bem como as assembleias municipais, feitas periodicamente de forma aberta aos cidadãos, para que se possam fazer ouvir e dar a sua contribuição para a melhoria da zona onde vivem. 

Se há alguma coisa na sua freguesia que pode ser melhorada e tem algumas ideias sobre a forma como isso poderia ser feito, informe-se sobre os canais de comunicação disponíveis e exponha o tema. É um passo importante para a sustentabilidade passar do plano individual para o coletivo.  

teresa | Auchan&Eu

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta Instrutora de Yoga Suspenso, Gyrotonic e Gyrokinesis (aplicação na perda de mobilidade, prevenção de problemas músculo-esqueléticos, pré e pós-parto)