À primeira vista, pode parecer verdade.
A quem observa de fora, o universo da alimentação 100% vegetal pode assemelhar-se a um campo desconhecido, pejado de ingredientes enigmáticos e práticas pouco familiares. Tempeh, spirulina, kombucha, miso, sementes de chia, de cânhamo ou de linhaça, matcha, tofu fumado com tamari… Uma sucessão de nomes que evocam supermercados alternativos, cozinhas orientais, dietas macrobióticas e um estilo de vida quase esotérico, longe da mesa portuguesa do dia-a-dia.
Para muitos, a ideia de deixar os produtos de origem animal parece obrigar a um salto para um outro mundo — onde tudo é cru, fermentado, verde ou “demasiado saudável”. Onde tudo leva gengibre, beterraba, quinoa, abacate, couve kale ou óleo de coco…
É natural que haja quem resista a esta ideia. Afinal, ninguém gosta de comer o que não conhece. E ninguém quer abrir mão do que lhe é familiar — sobretudo quando se trata de comida. No entanto, tal como acontece com tantos mitos, este também precisa de ser desmontado com serenidade, escutando os receios legítimos de quem pondera mudar.
A verdade é esta: o vegetarianismo não é um estilo fechado, nem um pacote único de ingredientes e sabores. Uma alimentação 100% vegetal pode ser aquilo que cada pessoa quiser — do mais simples ao mais sofisticado, do tradicional ao exótico, do saudável ao guloso, do caseiro ao fast food. Pode ser um prato de Lentilhas com Caril ou um prato de Arroz de Tomate com Rissóis de Feijão. Pode ser uma Bowl Colorida ou uma Feijoada à Portuguesa. Tal como a alimentação omnívora, também a alimentação vegetal se divide em estilos e preferências. E o mais importante de tudo: ninguém precisa comer o que não gosta. Há tantas, mas tantas possibilidades, que não há razão para tal.
O Desafio Vegetariano tem procurado mostrar que é possível fazer uma transição alimentar sem abdicar dos sabores de sempre. Os nossos menus e receitas não foram desenhados para surpreender pelo exotismo, mas sim pela familiaridade. Propomos, por exemplo, Jardineira, Rancho ou mesmo Rojões, feitos com nacos de soja; Bolonhesa, Lasanha ou Empadão com soja texturizada; Febra, Panados ou Lombo Assado, com seitan, em vez de porco; Cozido à Portuguesa com seitan em vez de vitela; Espetadas no Churrasco, com seitan, tofu, cogumelos e legumes; Tofu mexido no lugar dos ovos mexidos; Tofu grelhado, ou frito em tiras, com sabor a mar, quando juntamos algas e limão; Tofu de todas as maneiras, com molho de mostarda, de amendoim, do que a nossa imaginação quiser, uma vez que Tofu é uma autêntica tela em branco, pronta a absorver os temperos, sejam novos, ou com os que sempre cozinhou carne ou peixe.
A chave está no modo como se tempera — e em dois minutos aprende-se o essencial. Tal como se tempera uma febra, também se tempera um bife de seitan. Com alho, louro, vinho branco, azeite, limão, sal e pimenta. E o único ingrediente menos conhecido que acrescentamos é o Molho de Soja, cada vez mais utilizado por todos, e que aconselhamos, especialmente a quem não goste muito de legumes, porque tudo fica mais guloso!

Mas claro, também é possível optar por pratos simples, de base vegetal, sem substitutos. Feijoadas de Feijão preto, branco ou vermelho, com cogumelos e legumes, Sopas ricas com grão e couve portuguesa, Arroz de Grelos com Alheira Vegetal, Rancho com Grão e Cogumelos, Esparguete com Lentilhas Estufadas, etc.. Basta privilegiar alimentos da terra, com especial atenção às leguminosas, tão generosas em proteína.

E quem gosta de experiências novas pode também aventurar-se nos sabores do mundo — comida indiana, árabe, mexicana, tailandesa —, onde é frequente encontrarem-se pratos naturalmente vegetais. Mas, para quem quer dar os primeiros passos com mais conforto, há um caminho simples, próximo e reconfortante: o de adaptar as receitas que sempre se cozinharam em casa. Esta é, aliás, a nossa proposta: aproximar o vegetarianismo da cultura de cada um. Porque, quando a alimentação se alinha com os hábitos, os afectos e os sabores conhecidos, a mudança torna-se mais acessível — e mais apetecível.
Sabemos, no entanto, que mudar não é fácil.
Vivemos num tempo acelerado, onde a vida exige respostas rápidas e onde os dias parecem correr sem pausas. Muitos acreditam que mudar de alimentação implicaria uma transformação radical: mudar receitas, repensar idas às compras, reorganizar rotinas familiares. A percepção é a de que será necessário muito tempo, energia mental e força de vontade.
Mas o que nos diz a psicologia humana é que esta resistência é natural. A repetição dá-nos segurança. Comer o que conhecemos é, muitas vezes, uma forma de habitar o nosso lugar no mundo. As tradições alimentares têm precisamente esse papel: estruturam o quotidiano, ligam-nos aos outros, conferem-nos estabilidade.
Contudo, também está inscrita em nós a capacidade de adaptação. Ao longo da história, os seres humanos têm ajustado os seus comportamentos às exigências de cada época. Hoje, diante da urgência ambiental e ética que enfrentamos, importa repensar as nossas escolhas alimentares — sem culpa, sem pressa, e com consciência.
A proposta não é a de uma mudança total, imediata, nem rígida. O que propomos é um gesto. Um passo. Uma tentativa. Cada um pode fazer o seu bocadinho. E, juntos, esse bocadinho transforma-se numa diferença real, concreta, no presente e no futuro. Para o bem do planeta, dos animais e de todos nós.
Não é necessário abdicar do sabor, da cultura, nem da memória afectiva que temos com a comida. O que é necessário é permitir-se experimentar. E perceber que uma dieta 100% vegetal não é um mundo estranho — é apenas um mundo novo. E, por vezes, basta uma receita bem temperada para descobrir que este novo mundo sabe, afinal, a casa.
E é por tudo isto que a inscrição no site do Desafio Vegetariano é online e é gratuita: para facilitar a mudança aos Portugueses, com todo o sabor! O Desafio oferece gratuitamente centenas de receitas, com especial relevo nas tradicionais portuguesas, de forma a aproximar a alimentação de base vegetal à nossa Cultura, fornece informação útil e objectiva, e ainda dá acesso a um Grupo Privado de Apoio com Nutricionistas e Mentores experientes e muito amáveis. Experimente!

Elisa Nair Ferreira | Advogada | Directora do Desafio Vegetariano
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