Quantas vezes já ouvimos dizer que uma alimentação vegetal é “só alface”, “sem graça”, ou “sem sabor”? Esta é uma das ideias mais persistentes quando se fala em refeições sem ingredientes de origem animal. Mas será que tem algum fundamento? Ou será apenas uma ideia que se desfaz à primeira garfada?

O sabor está nos ingredientes — e nas mãos de quem cozinha
A verdade é que o sabor não vem da carne ou do peixe em si, mas sim da forma como os temperamos, cozinhamos e combinamos com outros ingredientes. Ervas aromáticas, especiarias, marinadas, molhos, texturas crocantes ou cremosas — tudo isso é o que transforma um prato simples numa experiência memorável.
Na alimentação vegetal, o mesmo princípio aplica-se. Combinando leguminosas, cereais, legumes frescos, frutos secos, sementes, produtos substitutos e temperos, é possível criar pratos ricos em sabor, cor e textura. E o melhor? Sem causar sofrimento animal e com um impacto ambiental garantidamente mais leve.
O vegetarianismo carrega a “má fama” de não ter sabor, por vários motivos. Em primeiro lugar, é preciso dizer-se a verdade: durante alguns anos a maioria das opções de base vegetal que se encontravam, de facto, não tinham grande sabor. Eram opções mais naturais, ou mais simples, ligadas a uma abordagem muito saudável, e, muitas pessoas continuam a associar o vegetarianismo apenas a dietas restritivas, pensando apenas em saladas, quinoa sem tempero, tofu cru, enfim – comida sem sabor! E não é este tipo de alimentação que, podendo agradar a alguns, atrai a maioria dos Portugueses no dia-a-dia, e muito menos nas épocas especiais!
Em segundo lugar, quando se começou a utilizar mais os substitutos de carne e peixe, como tofu, seitan ou soja, muitas pessoas não os sabiam confeccionar. Por exemplo, apresentavam o tofu cru, sem lhe conferir qualquer textura, e não o temperavam como merece, com limão, molho de soja, alho, sal, pimenta preta, etc. Ou, pior, utilizavam marcas que não têm a qualidade desejada. Por exemplo, utilizavam seitan não refrigerado, borrachoso, que, por mais horas que esteja a marinar, não absorve os temperos. A soja… era muitas vezes despejada do pacote para a panela, sem hidratação prévia, sem ser bem lavada e espremida, para ficar pronta a absorver os temperos que reclama de seguida, como vinho, molho de soja, alho em pó, paprika fumada, louro, e, por fim, azeitinho, para lhe conferir gordura boa!
Portugal é um país de sabores tradicionais. Do Bacalhau com Todos ao Arroz de Pato, passando pela Feijoada à Transmontana, pelos Enchidos, pelas Sardinhas Assadas e pelo Cozido à Portuguesa, temos uma herança gastronómica rica e profundamente enraizada na nossa cultura, nas nossas memórias e nas nossas mesas de família. E é por isso que, quando se fala em alimentação 100% vegetal, muitos portugueses torcem o nariz. “E o sabor?”, perguntam. “E os nossos pratos tradicionais? Não os vamos perder?” A resposta é simples: não. E mais — não só não os perdemos, como os podemos reinventar, mantendo o sabor, a textura e aquele conforto tão nosso, apenas com ingredientes de origem vegetal.
E, agora que cada vez mais famílias, bons Chefs e Restaurantes aderem ao vegetarianismo, agora que cada vez encontramos melhores produtos no mercado, agora que já existem tantas receitas de todos os estilos gastronómicos, este Mito tem os dias contados! Não vamos dizer que não poderá ainda acontecer uma má experiência aqui e ali, tal como poderá acontecer com as receitas de origem animal. Mas basta uma garfada de Migas de Feijão frade com Couve e Broa ou uma fatia de Lasanha de Soja ou de Lentilhas bem feita, para derrubar este mito.
Mudar de alimentação pode parecer, ao início, como aprender uma nova língua. Mas rapidamente percebemos que já sabemos quase todas as palavras — e que, com curiosidade, e em muito pouco tempo, podemos ficar fluentes! O segredo está em dar ao vegetarianismo uma oportunidade honesta, ou dar-lhe até uma segunda ou terceira oportunidade; cozinhar com gosto, provar sem medo, adaptar ao nosso paladar; e, sobretudo, lembrar que comer é muito mais do que abastecer o corpo — é cultura, memória, afecto, e que tudo isso também cabe numa alimentação 100% vegetal.
Podemos procurar Restaurantes de qualidade, ou, para garantidamente termos uma boa experiência, podemos experimentar fazer em casa uma das receitas do Desafio Vegetariano Portugal, que ao longo dos últimos anos se especializou em aproximar o vegetarianismo da gastronomia portuguesa, recriando com sucesso a maioria dos pratos pelos quais temos afecto, e que naturalmente sabemos cozinhar. O segredo está precisamente em escolhermos o substituto mais adequado a cada receita e em lhe atribuirmos a textura e o sabor idêntico ao que procuramos.
E é por tudo isto que a inscrição no site do Desafio Vegetariano é online e é gratuita: para facilitar a mudança aos Portugueses, com todo o sabor! O Desafio oferece gratuitamente centenas de receitas, com especial relevo nas tradicionais portuguesas, de forma a aproximar a alimentação de base vegetal à nossa Cultura, fornece informação útil e objectiva, e ainda dá acesso a um Grupo Privado de Apoio com Nutricionistas e Mentores experientes e muito amáveis. Experimente!

Elisa Nair Ferreira | Advogada | Directora do Desafio Vegetariano
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