Combater a ansiedade com a Natureza

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A Ansiedade é uma das epidemias de saúde mental da última década, por um lado, por finalmente se reconhecer a “carga mental” envolvida no dia-a-dia atualmente, mas por outro lado, por essa carga ser real e elevada. É paradoxal como num tempo em que mil máquinas e computadores sofisticados prometem poupar-nos tempo e aliviar-nos nas tarefas, acabamos por ficar tão ou mais exaustos, sem desfrutar da – por vezes, pouca – qualidade de vida conquistada.

Esse cansaço, acompanhado pelos desafios emocionais do dia-a-dia e com a agravante de termos acesso a inúmeros conteúdos online que espelham realidades distorcidas, ou pelo menos com uma curadoria cuidada para serem invejáveis, gera uma enorme ansiedade.

Para além disso, o ambiente urbano em que a maioria da população vive proporciona um contacto limitado com a Natureza, alienando as pessoas a muitos dos ritmos naturais – luz, temperatura, humidade – que passam a ser condicionados artificialmente pela agenda, pelo relógio e pelas condições no interior dos edifícios.

A ansiedade pode então prender-se com o excesso de estímulos, o constante bombardeamento de pedidos de atenção e o foco exagerado em tudo o que está a pouca distância do nosso nariz. Pode parecer apenas figurativo, mas olhar sempre para o pormenor pode impedir-nos de ver o grande quadro, e consequentemente de relativizar e enquadrar o que estamos a viver. Se o foco está constantemente nas pequenas tarefas sem contexto, perde-se o significado do que se está a fazer e do caminho a seguir.

Se há um ponto em que a maioria dos textos sobre estratégias para combater a ansiedade concorda, é que estar em ambientes naturais é uma forma eficaz de a reduzir. Vejamos porquê.

A Natureza desperta nos seres humanos o que é essencial, que nos acompanha há incontáveis gerações. Estamos equipados para lidar com o meio natural, muito mais do que com o tecnológico, mas facilmente nos esquecemos disso. A quantidade de estímulos a que estamos expostos, seja por obrigação seja por lazer, faz-nos viver num mundo que apesar de parecer mais amplo, é na realidade mais reduzido.

É tempo de esquecer o telemóvel por umas horas e imergir na Natureza. Ela tem as vantagens de estar um pouco por todo o lado, muitas vezes de forma gratuita e o clima ameno não se deixa dar como desculpa para não sair de casa. Aqui ficam algumas sugestões:

  • Dar um passeio na praia ou sentar-se na areia a ouvir o mar e a olhar para o horizonte.
  • Estar umas horas num parque, a passear entre as árvores ou estender uma toalha na relva e deixar-se ficar. Pontos extra se andar descalço na relva.
  • Passear à chuva (quando tudo falta, a chuva conta como natureza!).
  • Embrenhar-se numa mata ou floresta durante o dia, para uma caminhada ou corrida.
  • Ver o nascer do sol. Ou o pôr-do-sol, se a preguiça for muita. Mas sem música, sem cocktails ou sunset parties.
  • Ir para a beira rio e deixar-se estar, mesmo no meio da azáfama de quem passa.
  • Sentar-se numa esplanada ou num recanto algures a desfrutar do sol
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Se a agenda não permitir reservar muito tempo só para estar em Natureza, sem mais nada, a estratégia pode passar por trazer para a Natureza algumas atividades, tais como:

  • Trabalho. Para quem tem a liberdade de trabalhar remotamente, ou trabalha numa empresa em que essas iniciativas são permitidas, porque não aproveitar para estar cá fora a trabalhar ou numa reunião? Não é preciso levar o computador para o meio do bosque, mas estar numa esplanada frente ao rio ou num jardim pode ser um vislumbre de Natureza muito bem-vindo.
  • Refeições em conjunto. Por que não combinar com os amigos ou família um piquenique num parque em vez de estarem fechados em casa ou num restaurante? Também a trabalhar, a hora de almoço talvez possa ser passada cá fora, noutro ritmo, em vez de um restaurante apinhado, ou pior, sentado à secretária.
  • Desporto. Para quem faz treinos de ginásio, porque não aproveitar para treinar cá fora? Pode ser menos aborrecido e incentivar a ir um pouco mais além na intensidade.
  • Convívio. Combinar um passeio na praia ou no parque com uma amiga é uma forma muito agradável de por a conversa em dia.
  • Atividades com crianças. Nada como deixar que as crianças se entretenham a brincar num parque ou na praia depois de um dia de escola. Muitos jardins e parques das cidades têm também um parque infantil. Se puder, tire uns minutos ara passar no parque e recarregar um pouco as baterias depois da correria do dia.

A maior parte destas atividades junta mais que uma estratégia de alívio da ansiedade, como é exemplo o desporto – manter atividade física é uma estratégia unânime – e o convívio com as pessoas que são importantes e fazem parte do suporte social: família, amigos e com sorte, colegas de trabalho.

Há quanto tempo não está em natureza? Pense rápido e sem desculpas. É provável que tenham passado uns dias desde a última vez. Nos casos mais sérios, talvez semanas. Então se a resposta for “desde o verão passado”, então é hora de mudar. Incorpore a natureza como puder no seu dia-a-dia. Parece algo secundário, mas se tiver atenção à forma como se sente, verá que os efeitos estão lá. E com o tempo, muito provavelmente, a ansiedade já não estará tão alta.

Aproveite os espaços que o país oferece e o clima convidativo. Torne-os mais regra e menos exceção e verá que a ansiedade vai ficando algures pelo caminho, entre a areia ou as folhas do chão.

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Teresa Fernandes, Fisioterapeuta
Instrutora de Yoga Suspenso, Gyrotonic e Gyrokinesis 
(aplicação na perda de mobilidade, prevenção de problemas músculo-esqueléticos, pré e pós-parto)