Já nem vejo notícias!
Só desgraças na televisão!
Só se fala na guerra!
Já não há notícias boas!
Fico deprimido com tanta notícia má!
A sociedade actual tem acesso a informação de variadíssimas formas, seja pela rádio, televisão, jornal, internet.
Temos o privilégio de aceder a toda a informação que necessitamos de uma forma rápida, satisfazendo as nossas necessidades à distância de um clique. O acesso à informação revela-se como algo essencial para o Ser Humano. No entanto, a facilidade com que a informação nos chega, muitas vezes sem filtro, sem escolha, de uma forma dramática, negativa, tem um impacto emocional em nós, sendo essencial estar atento ao mesmo e procurar as estratégias necessárias para minimizar os danos causados por esse tipo de informação.
Vivemos bombardeados por muitas informações, em que umas vão anulando as outras e quando nos apercebemos, estamos praticamente anestesiados.
Nos últimos anos a informação dramática tem tomado conta dos diversos meios de comunicação. Se desde 2020 todas as notícias eram sobre a pandemia, o covid e seus efeitos, os números de infectados, entre outros aspectos que suscitavam medo e ansiedade, mais recentemente temos sido bombardeados diariamente com notícias sobre a guerra na Ucrânia, com início a 24 de Fevereiro de 2022. Com a pandemia todo o mundo viveu de alguma forma esse medo. Com a guerra na Ucrânia, apesar de longe, não estamos imunes ao stress associado à ideia de uma ameaça constante.
O excesso de informação dramática tem um impacto emocional diferente em cada pessoa, dependendo da sua personalidade, bem como da sua história de vida e a postura perante a vida. Este impacto está dependente da forma como pensamos e nos avaliamos, do ambiente em que vivemos, do significado e importância que damos aos acontecimentos e à vida. Quando determinado acontecimento é interpretado como dramático, catastrófico e ameaçador tem um potencial efeito de trauma. Estas situações podem desencadear sentimentos de medo, desamparo, frustração, tristeza, preocupação, angústia, tendo impacto na saúde mental, podendo levar a perturbações de ansiedade e depressão.
O psicólogo britânico David Lewis criou o termo “síndrome da fadiga informativa”, para nomear as reacções de ansiedade, paralisação e dúvidas que surgem quando nos vemos diante de tantos estímulos que não damos conta de processar. Também pode provocar mal estar físico como cansaço, dor de cabeça, nas costas, no pescoço e no peito, desconforto muscular, hipertensão arterial, aumento da frequência cardíaca e diabetes, entre outras doenças inflamatórias, bem como prejudicar o sono e a memória. É um efeito dominó, o impacto emocional pode ser um gatilho para uma resposta fisiológica e esta também activa respostas comportamentais.
É importante termos consciência do impacto desse tipo de informação em nós próprios e procuramos estratégias adequadas à nossa personalidade, que nos ajudem a encontrar um equilíbrio. A informação diária deve ser controlada, seleccionada e filtrada para que seja consumida de forma saudável. Devemos tentar procurar informação na fonte ou que seja o mais confiável e precisa possível. Perante a informação que nos chega é essencial o pensamento crítico, sendo crucial identificar a informação que queremos consumir, dando preferência às que agregam valor à própria vida. Devemos questionar, duvidar, criticar, não aceitar todas as informações sem as analisar.
Tendo em conta o impacto emocional que este tipo de informação pode gerar, torna-se crucial a existência de momentos de partilha com outras pessoas acerca dos sentimentos que as notícias geram, bem como também criar momentos de humor, de distracção, que nos permitam descansar o corpo e a mente.
Por último, não nos devemos esquecer dos habituais cuidados a ter com a promoção da saúde mental que devem ser sempre valorizados:
- manter rotinas (especialmente do sono)
- fazer exercício físico
- evitar álcool e estimulantes
- fazer actividades que gerem prazer, manter uma alimentação saudável e equilibrada
O ser humano é um ser em construção, curioso por natureza. É essencial estarmos informados sobre o que nos rodeia. Também é essencial sabermos gerir essa informação e o impacto que ela tem na nossa vida.

Catarina Moço
Psicóloga Clínica (OP 5069)
Fundação Pão de Açúcar Auchan