As refeições vegetarianas são mais caras?

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Quando vamos aos supermercados e vemos produtos ultraprocessados, como as alternativas vegetais ao queijo, aos hambúrgueres, almôndegas, salsichas, nuggets, panados, “carne” picada, “atum”, etc., com os símbolos “Vegan” e “Vegetariano”, com preços bastante elevados, comparativamente aos correspondentes de origem animal, é normal concluirmos rapidamente que as refeições vegetarianas sejam mais caras.

Depois encontramos produtos minimamente processados como bebidas vegetais, tofu e seitan – substitutos básicos do leite, peixe e carne, em que o preço é equiparável. Mas, se bem nos recordamos, nos primórdios destes produtos, os preços eram bastante mais elevados. Entretanto, nos últimos dois anos, o número de vegetarianos em Portugal aumentou 137%, e mais de 1 milhão de portugueses está a reduzir ativamente o consumo de carne e peixe, seja pela saúde, por preocupações ambientais, por questões éticas relativas ao tratamento dos animais (de acordo com a consultora Lantern).

Como resultado do aumento da Procura e consequente aumento da Oferta, alguns produtos são até já mais baratos, se compararmos, por exemplo, o preço do seitan com a carne de vitela, ou o do tofu com a pescada, ou se simplesmente dermos preferência às leguminosas. Mas, por que são aqueles outros tão caros?

Desde logo, porque os produtos de origem animal beneficiam há muito de subsídios, investimentos públicos e europeus, e taxas de IVA inferiores aos respetivos substitutos de origem vegetal, o que permite apresentar esses produtos nas prateleiras a preços bastante reduzidos. Depois, tal como acontece com qualquer novidade no mercado, o investimento inicial em investigação e desenvolvimento tecnológico encarece as matérias-primas e a produção. Mas serão os produtos ultraprocessados a base de uma alimentação vegetariana?

Na nossa experiência, e segundo as Linhas de Orientação para uma Alimentação Vegetariana Saudável, da Direcção-Geral da Saúde, a base de uma alimentação que retira a carne e o peixe do centro do prato são “os cereais integrais, as leguminosas, hortícolas, frutas, frutos gordos e sementes, de preferência locais, da época, e os minimamente processados”, em que Portugal é tão rico e com preços bem acessíveis. Os produtos ultraprocessados, sejam de origem vegetal, sejam de origem animal, são sempre mais caros e não são recomendados ou necessários para uma alimentação saudável.

Portanto, se o preço é importante no momento de fazermos as compras, e tem sido um impedimento para darmos uma oportunidade ao vegetarianismo, já sabemos que a alimentação vegetariana pode ser mais barata se seguirmos as orientações da DGS, e, se os substitutos mais processados forem importantes para a nossa transição, porque estamos acostumados a consumir os de origem animal, basta consumi-los moderadamente e aguardar algum tempo até as leis do mercado naturalmente baixarem os seus preços.

Uma boa ideia para começarmos uma alimentação de base vegetal com confiança, com imensas receitas saborosas e económicas e com todo o apoio, é inscrevermo-nos no site do Desafio Vegetariano durante um mês. “É simples, é grátis, e muuuito saboroso!

Elisa | Auchan&Eu

Elisa Nair Ferreira
Advogada, Fundadora e Diretora da Aliança Animal e Desafio Vegetariano