Durante algum tempo, esta ideia vagueou pelas conversas como se fosse uma verdade: “Os veganos são magros”, “Não têm força”, “Não comem proteína”.
Mas se olharmos com atenção, vemos que esta percepção não condiz com a realidade actual, mesmo que tenha tido algum fundo de verdade. Nos primeiros tempos em que o veganismo começou a ganhar expressão, muitas pessoas fizeram a transição por razões profundamente éticas. Não era por uma melhor saúde, nem pela linha, nem pelo planeta. Era pelo coração: não conseguiam mais pactuar com a violência exercida sobre os animais, apenas para satisfazer um costume ou um prazer fugaz. Eram tempos em que não havia tanto conhecimento, receitas ou nutricionistas familiarizados com a alimentação de base vegetal. Eram tempos de descoberta, e, como em todos os inícios, terá com certeza havido quem errasse o caminho, e é aí onde naturalmente se fixa mais o olhar colectivo.
E quando surgem exemplos mais extremos — como os de pessoas que seguem dietas altamente restritivas, confundindo veganismo com frugivorismo, ou com jejuns prolongados — o preconceito ganha terreno. Passa-se a acreditar que alimentar-se à base de vegetais é alimentar-se de menos. Mas a forma de alimentação dentro do veganismo não é uma dieta de privação. É uma forma de comer com consciência, apenas excluindo os produtos que resultem da exploração dos animais. De resto, é uma alimentação cheia de variedade, textura e sabor, e riquíssima, desde que bem planeada, como qualquer outra.
A própria Direcção-Geral da Saúde (DGS) é clara: “Uma alimentação vegetariana estrita, quando bem planeada, é nutricionalmente adequada e pode trazer benefícios para a saúde na prevenção e no tratamento de certas doenças”. Esta posição é partilhada por instituições como a Organização Mundial da Saúde, a British Dietetic Association e a Academy of Nutrition and Dietetics (EUA), que sublinham a segurança da dieta vegetal para todas as fases da vida — da gravidez à infância, da idade adulta ao envelhecimento, incluindo o desporto de alto rendimento.
E, já que falamos de força, olhemos para quem a vive todos os dias: os atletas que provam o contrário! A lista de atletas veganos e vegetarianos está a crescer — e é composta por nomes que dispensam apresentações:
- Patrick Baboumian, considerado um dos homens mais fortes do mundo, vegano desde 2011, detentor de vários recordes de força e halterofilismo;
- Lewis Hamilton, sete vezes campeão de Fórmula 1, que afirma sentir-se mais leve, rápido e concentrado desde que mudou de alimentação;

- Serena Williams, lenda do ténis, que seguiu uma alimentação vegetal durante muitos anos da sua carreira de alta competição;
- Novak Djokovic, número 1 mundial do ténis, adepto de uma alimentação à base de plantas, que associa a sua resistência física e rápida recuperação à dieta;
- Morgan Mitchell, velocista olímpica australiana;
- Tia Blanco, campeã mundial de surf;
- David Haye, campeão mundial de boxe;
- Dotsie Bausch, medalha olímpica em ciclismo, fundadora do movimento Switch4Good, que promove uma nutrição sem lacticínios; ou
- Carl Lewis, campeão olímpico, que afirmou ter tido os melhores desempenhos da sua carreira após adoptar uma alimentação 100% vegetal.
Estes atletas não são excepções: são exemplos de como a nutrição vegetal, longe de limitar, pode impulsionar o rendimento físico.

Onde está a força? Nos nossos pratos.
Não é preciso procurar longe ou em alimentos exóticos; Os ingredientes que compõem uma alimentação rica em proteína vegetal estão já bem enraizados na nossa tradição:
- Leguminosas – Grão-de-bico, feijão, lentilhas, etc;, base de pratos como Rancho, Migas com Feijão-Frade, Feijoadas, Caril de Lentilhas, e muitos mais;
- Tofu e Tempeh – fáceis de temperar, ricos em proteína completa e extremamente versáteis: grelhados, panados, assados, num Tofu à lagareiro ou num Tofu Mexido
- Seitan – feito a partir do glúten do trigo, tem textura carnuda e alto teor proteico; Experimenta-se grelhado, panado, assado, à Alentejana, ou desfiado em Arroz tipo de Pato;
- Aveia, quinoa, trigo sarraceno – para variar os hidratos, trazendo também fibra e proteína;
- Frutos secos e sementes – como nozes, amêndoas, sementes de girassol, sésamo, chia ou linhaça, que além da proteína fornecem ácidos gordos essenciais, muito fáceis de inserir em pequenos-almoços, e saladas;
- Vegetais verde-escuros – como espinafres, grelos ou nabiças, ricos em ferro e cálcio, cozidos, salteados ou em esparregados.
- Algas – fonte vegetal de iodo e outros minerais, que utilizamos em todas as receitas em que queremos o sabor a mar, como num Arroz tipo de Marisco, em Douradinhos de Tofu, aos pedaços em Pleurotus à Brás, ou em Pataniscas de Alho Francês.
Combinar estes ingredientes é mais fácil do que parece! Basta lembrar: leguminosa + cereal + vegetal + gordura saudável = prato completo.
Mas força não é só músculo! É também resiliência, vontade, consciência. Muitos dos que escolhem uma alimentação vegetal fazem-no por quererem viver de forma mais coerente com os seus valores. E isso é, em si, um acto de força, porque, não ceder à conveniência, não seguir pelo caminho mais fácil, e repensar hábitos enraizados, é, muitas vezes, o maior treino de todos.
Não, os veganos não são magros e fracos. São pessoas comuns, diversas, com corpos e vidas diferentes. Alguns são esguios, outros robustos, mas, em comum, têm uma força particular: aquela que vem de alinhar os actos com os valores; E essa, não se mede ao espelho — sente-se por dentro.E o Desafio Vegetariano foi criado para ajudar quem quiser fazer esta mudança, a fazê-lo com confiança, e com todo o sabor! A inscrição é online e é gratuita, e oferece centenas de receitas, com especial relevo nas tradicionais portuguesas, informação útil e objectiva, e dá acesso a um Grupo Privado de Apoio com Nutricionistas e Mentores experientes e muito amáveis. Experimente!

Elisa Nair Ferreira | Advogada | Directora do Desafio Vegetariano
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