Pimentas: Saúde com cor e sabor

Pimentas: Saúde com cor e sabor

As especiarias são condimentos, essenciais para uma alimentação saudável com mais sabor. Têm sido utilizadas, ao longo dos tempos, como parte integrante da dieta e comércio.

As pimentas foram ganhando popularidade pela sua diversidade de cores, sabores e aromas. Estes conferem-lhe uma grande variedade de antioxidantes, vitaminas e fitoquímicos, promotores de saúde. São ricas em polifenóis, particularmente os flavonóides. Assim como em carotenóides, que são responsáveis pelas suas cores.

Além disso, têm demonstrado ação benéfica em:

  • certos tipos de cancro
  • prevenção de úlcera gástrica
  • estímulo do sistema imunitário
  • prevenção de doenças cardiovasculares
  • efeito protetor contra doenças do foro ocular, relacionadas com a idade(1)

Para além disso, alguns tipos de pimentas são ricas em vitaminas C, E e A e minerais, como o potássio(2).

A designação de pimenta é comummente atribuída, tanto à pimenta preta e seus derivados (Piper negrum), como ao produto derivado da malagueta (Capsicum annum L), a pimenta caiena.

A pimenta preta é, atualmente, a especiaria mais utilizada no mundo

Esta deriva das bagas do arbusto tropical Piperácea, que adquirem a coloração preta quando secas. No seu centro, é maior a concentração de piperina. Este composto confere à pimenta o seu aroma quente e picante. E é também a ele que são atribuídas a maioria das suas propriedades dietéticas. Deste modo, para tirar partido de todos as suas características, deve moer os seus grãos, devendo ser adicionados no final da confeção. Isto porque os seus compostos são voláteis.

As pimentas verde, vermelha e branca provêm da mesma baga da pimenta preta

No entanto, são colhidas em diferentes níveis de amadurecimento e tratadas de forma diferente. A primeira, corresponde à baga ainda verde, preservada para manter a cor. A segunda, à baga colhida mais madura, com coloração avermelhada. A última, à semente no centro da pimenta preta, com coloração esbranquiçada. Por sua vez, a pimenta rosa deriva de uma árvore de pimenta peruana da família da castanha de caju(3).

A pimenta-caiena tem um aroma fumado e intenso. A sua intensidade será tanto maior quanto mais precocemente for adicionada à preparação(4). O componente responsável pelo ardor e sabor picante característico é a capsaicina.

Diversos estudos têm demonstrado as propriedades da piperina, nomeadamente:

  • antioxidantes
  • antimicrobianas
  • anti-inflamatórias
  • capacidade de aumento da absorção de nutrientes
  • melhoria do funcionamento gastrointestinal
  • auxílio do funcionamento cognitivo e atividade antidepressiva(5,6)

Por sua vez, a capsaicina tem demonstrado propriedades:

  • antioxidantes
  • hipotensivas e protetoras cardiovasculares
  • anti-inflamatórias
  • analgésicas
  • antibacterianas
  • anticancerígenas (prevenção e tratamento)

Tem-lhe sido, ainda, atribuído um impacto na termorregulação e no metabolismo do tecido adiposo. Assim como, um potencial efeito na prevenção da Doença de Alzheimer. A capsaicina inibe a transcrição de genes responsáveis por proteínas, que estimulam a produção e acúmulo de tecido adiposo. Por outro lado, estimula ainda a transcrição de genes, responsáveis pela produção de enzimas que reduzem a gordura e, consequentemente, o peso corporal. Por outro lado, estimula genes e hormonas relacionados com a regulação da temperatura corporal. Isto faz aumentar o dispêndio energético (termogénese). Estas propriedades têm criado uma relação entre a capsaicina e a perda de peso ponderal(7).

Valores nutricionais da pimenta
Valores nutricionais da pimenta caiena

As pimentas podem ser acrescentadas aos mais variados pratos e preparados, como molhos, saladas, ovos e bebidas.

Isto permite diminuir a quantidade de sal adicionado, sem sacrificar o sabor. Poderá encontrar diversas sugestões de receitas com adição de pimentas, entre as quais:

Curiosidade:

A malagueta foi introduzida pelos navegadores portugueses na Europa e na Índia nos séculos XV e XVI, aquando da chegada à América Central. O ardor causado pela malagueta foi confundido com a pimenta preta, sendo-lhe atribuído um nome incorreto, que se perpetuou até aos dias de hoje.

Referências bibliográficas:

  1. Chuah AM, Lee YC, Yamaguchi T, Takamura H, Yin LJ, Matoba T. Effect of cooking on the antioxidant properties of coloured peppers. Food Chemistry. 2008; 111(1): 20–28. doi:10.1016/j.foodchem.2008.03.022
  2. Olatunji TL, Afolayan AJ. The suitability of chili pepper (Capsicum annuum L.) for alleviating human micronutrient dietary deficiencies: A review. Food Sci Nutr. 2018;6(8):2239-2251. doi:10.1002/fsn3.790
  3. Pimenta Preta. Margão. 2018. Disponível aqui
  4. Malagueta. Margão. 2018. Disponível aqui
  5. Butt MS, Pasha I, Sultan MT, Randhawa MA, Saeed F, Ahmed W. Black pepper and health claims: a comprehensive treatise. Crit Rev Food Sci Nutr. 2013;53(9):875-86. doi: 10.1080/10408398.2011.571799
  6. Yang J-Y, Zhang J, Zhou G. Black pepper and its bioactive constituent piperine: promising therapeutic strategies for oral lichen planus. Inflammopharmacology. 2018; doi:10.1007/s10787-018-0540-7
  7. Adaszek L, Gadomska D, Mazurek L, Łyp, P., Madany, J., & Winiarczyk, S. (2018). Properties of capsaicin and its utility in veterinary and human medicine. Research in Veterinary Science. doi:10.1016/j.rvsc.2018.12.002

 

Dalila Abreu, Nutricionista Estagiária Jumbo