Afinal, o café faz ou não bem?

AdobeStock 32282345 web | Auchan&Eu

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo, atualmente sendo reconhecido como uma importante fonte de antioxidantes. O seu poder antioxidante deve-se aos compostos presentes na sua composição, como a cafeína e os compostos fenólicos. Associado ao seu consumo moderado e regular são mencionados potenciais benefícios como a redução da sensação de fadiga, o aumento dos níveis de alerta e atenção, a melhoria do raciocínio e memória e a manutenção das funções cognitivas no envelhecimento. Para além disto, existem estudos que associam um possível efeito protetor do café contra doenças como a Diabetes Mellitus tipo 2, alguns tipos de cancro (nomeadamente cancro do colo rectal), a depressão e as doenças de Parkinson e Alzheimer.

No entanto, devemos ter em conta que tais benefícios advêm de um consumo moderado de café, sendo necessário definir limites para a sua ingestão. A quantidade de cafeína ingerida é um fator a ter em consideração, sendo que doses acima dos 400 mg/dia podem apresentar riscos para a saúde do consumidor. O teor médio de cafeína num café expresso consumido em Portugal é cerca de 74,5mg por chávena, dependendo da planta do café, método de preparação, quantidade de café no momento da preparação e grau da torra e moagem, e o valor recomendado para o seu consumo traduz-se assim num consumo médio de 2 a 3 cafés por dia, para um adulto saudável. É necessário ainda ter atenção ao consumo de cafeína, pois o café não é o único alimento ou bebida que contém esta substância! As bebidas energéticas, os chás, alguns refrigerantes e até os chocolates podem contribuir para as quantidades de cafeína ingeridas ao longo do dia!

Em consumidores que não consomem cafeína regularmente, os seus efeitos são mais notórios, sendo que a cafeína atinge a corrente sanguínea 30 a 45 minutos após o seu consumo. No entanto, o seu consumo nem sempre é benéfico, existindo situações em que este deve ser evitado. Uma dessas situações ocorre em indivíduos que apresentam carência em ferro ou anemia, uma vez que, o café exerce uma ação inibitória sobre a absorção de ferro não-heme (de origem vegetal). Esta situação ocorre porque compostos que integram a composição do café se ligam ao ferro, tornando-o menos disponível para absorção a nível intestinal.

Em resumo, se consumido em moderação e se não houver indicação médica em contrário, o café pode e deve continuar a fazer parte do nosso dia-a-dia! Principalmente quando custa acordar de manhã…

Referências bibliográficas:
  • Caffeine and health, Eufic
  • Everything you need to know about caffeine, International Food Information Council Foundation
  • 5 questões sobre café, Associação Portuguesa dos Nutricionistas
  • Café e os seus benefícios terapêuticos, Café & Saúde
  • Habitual coffee consumption and changes in measures of adiposity: a comprehensive study of longitudinal associations, Nature
  • Habitual coffee consumption and risk of type 2 diabetes, ischemic heart disease, depression and Alzheimer’s disease: a Mendelian randomization study, Scientific Reports

Equipa de Nutricionistas Auchan