Momentos do dia para a prática de meditação

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A meditação pode definir-se como a arte de estar presente no espaço e no tempo.

Algo tão simples quanto parar numa posição confortável, respirar, e dentro do possível, estar em contacto com essa cadência da respiração, os seus efeitos no corpo e na mente, cuja correria de pensamentos costuma abrandar quando a atenção se vira para algo repetido e calmante como o ritmo respiratório.

Atenção a um pormenor: meditar é simples, mas isso não quer dizer fácil. Trilhar o caminho para tirar proveito da meditação implica paciência e empatia consigo mesmo, aceitar que parte das vezes não vai mesmo desviar o pensamento da situação embaraçosa que passou nesse dia, ou dos coentros que tem que comprar no supermercado quando sair do emprego.

Tendo ficado muito popular nos últimos tempos, a meditação está associada a mitos, recomendações e conceitos que por vezes se tornam avassaladores para quem quer começar. É frustrante, mas esse é o processo natural de aprendizagem, requer tentativas, erros, abandonos, recomeços, promessas, trabalho, e por fim, eventualmente, algum resultado. E está tudo bem na mesma, nos dias em que não consegue meditar como queria. O importante é “aparecer”, ou seja, pôr-se no lugar do aluno autodidata e estar disposto a receber aquilo que o corpo e a mente lhe dão naquele dia.

Pode dizer-se que uma boa dica para a motivação dentro da meditação é a prática do desapego, no sentido de soltar as amarras da perfeição, esse conceito aleatório e definido por pessoas que vivem realidades muito diferentes. A duração, o método e o lugar ideais são os seus, aqueles com que se sentir bem. Há que experimentar e ver como se sente. Um aspeto importante é tentar várias vezes, conseguir alguma regularidade. Mas atenção, não caindo na mesma armadilha da perfeição. Para uns a regularidade possível é semanal, para outros é diária, e para todos certamente varia conforme o momento por que passam, e isso é normal.

Uma dúvida que surge é a melhor altura do dia para meditar…

Acertou! não há nenhuma altura melhor que as outras. No entanto, aqui ficam alguns conceitos associados a cada parte do dia que o podem ajudar a decidir, a cada momento, qual delas será mais interessante experimentar:

De manhã

Muitas vezes escolhida por ser a altura do dia em que se consegue ter mais sossego (acordar mais cedo ajuda), a meditação matinal pode ajudar a estabelecer uma intenção para o dia. Não se trata de objetivos nem produtividade, mas de uma intenção emocional, de atitude. Por exemplo, ouvir mais os outros, ter paciência, saborear os tempos livres ou optar por ver o lado bom das situações.
Na prática, a meditação matinal pode resumir-se a algumas respirações fundas, em silêncio, talvez até enquanto o café arrefece. Há quem se sinta revigorado por fazer estas respirações no exterior, abrindo uma janela ou varanda, para sentir o ar frio da manhã e entrar em contacto com o ambiente que o rodeia. Meditar de manhã ajuda a ganhar energia e foco para o dia, ajuda a estabelecer prioridades e a começar o dia com melhor humor.

Ao meio do dia

Uma pausa meditativa a meio do dia é útil para refrescar a mente e recentrar o foco. Pode ser usada para ajudar à transição entre tarefas, encerrando capítulos e abrindo outros com energia renovada. Em contexto de trabalho, pode ser usado para gerir fases de maior stress, ou preparar momentos desafiantes, como uma apresentação. É também uma boa ferramenta para quando se está a sentir perdido ou apático, a evitar ou a procrastinar o que precisa de ser feito.

Ao final do dia

Por excelência um momento de descompressão, o final do dia marca a transição entre a vida laboral e a familiar. É certo que também há tarefas e logística nessa parte do dia, mas o seu teor é diferente e requer um conjunto diferente de capacidades. Meditar ajuda a encerrar os temas de trabalho e a ganhar energia para o que vem a seguir, sejam outras tarefas, uma atividade extracurricular ou simplesmente o descanso (sim, mesmo para descansar o corpo é bom arejar a mente).

De noite

Meditar antes de ir dormir pode ser um bom método para dar as boas-vindas ao sono. Há relaxamentos guiados que funcionam como um bom preâmbulo para esta meditação, em que se dá atenção a cada parte do corpo, usando a consciência corporal; depois, usando a imaginação, atribui-se a cada parte do corpo uma sensação associada ao descanso, como “derreter”, “desligar” ou “flutuar”. Após este percurso, dos pés à cabeça, já com o corpo simultaneamente consciente e desligado, pode ser mais fácil manter a respiração compassada e o foco nesse ritmo, desligando a mente após o corpo, preparando-se para dormir descansado.

Quer seja uma pessoa de manhãs ou de noites, crie um espírito de curiosidade e vá experimentando. Desfrute das tentativas, mesmo as que não lhe correm como queria. E quase sem dar por isso, o processo de aprendizagem vai-se desenrolando, trazendo consigo os primeiros benefícios.

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Teresa Fernandes, Fisioterapeuta
Instrutora de Yoga Suspenso, Gyrotonic e Gyrokinesis (aplicação na perda de mobilidade, prevenção de problemas músculo-esqueléticos, pré e pós-parto)