O que é Fome Emocional? E como podemos controlá-la?

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A fome emocional diz respeito a uma sensação desencadeada por estímulos de natureza psicológica que levam um indivíduo a comer sem ter fome. Por outras palavras, a mente pede alimentos que o organismo não necessita e, nesses casos, as pessoas ingerem calorias extra que o organismo terá mais dificuldade em gastar, levando-o a acumular gordura corporal e a potenciar o aumento de peso.
Situações em que as pessoas comem para aliviar o stress ou utilizam o prazer da comida para mascarar algum tipo de tensão ilustram casos da manifestação da fome emocional. E este fenómeno não é apenas característico das mulheres, a fome emocional atinge também homens e pessoas de todas as faixas etárias.

Para distinguir a fome emocional da fome física é importante perceber que a fome física surge da necessidade fisiológica do organismo em repor o equilíbrio nutricional. A manifestação dos sinais de fome física ocorre, geralmente, de forma gradual e agradável, com sensações fisiológicas associadas, como contrações estomacais e ampliação dos sentidos do paladar e do olfato. As sensações de “água na boca” e o olfato apurado são sinais inatos do organismo associados à fome física.

Contrariamente, a fome emocional surge de forma repentina e, em muitos casos, associada a episódios de stress, para além de que é intransigente, pois pede um alimento ou tipo de comida específico (por exemplo, doces). Também os sentidos do paladar e do olfato não sofrem uma ampliação natural, sendo comum ingerir-se o alimento sem o saborear verdadeiramente. A fome emocional tende, também, a despoletar emoções de culpa. Nestes casos, as pessoas reconhecem que não deviam ter ingerido determinado alimento e sentem necessidade de fazer algo para gastar o excesso calórico.

Para controlar a fome emocional é necessário reconhecer os seus sinais e saber distingui-los da fome real. Para diagnosticar qual é realmente o tipo de fome que se está a sentir, é importante fazer o exercício de se perguntar a si próprio(a): “como surgiu a sensação de fome?”, e “como me irei sentir depois de comer este alimento?”.
Assim, se identificar que a fome surgiu associada a algum episódio de stress ou se, por outro lado, antever a sensação de culpa e a necessidade de fazer algo para gastar as calorias extra ingeridas, muito possivelmente a fome que sente é fome emocional.

Depois de reconhecer a fome como sendo emocional é importante evitar a ingestão de alimentos. Sair do local onde se encontra é importante para levar o cérebro a sentir outros estímulos. Esta ação ajuda o cérebro a desfocar a atenção da sensação de fome. Beber água ou chá é importante, já que por vezes as sensações de fome e sede confundem-se entre si. Isto deve-se ao facto de ser a mesma estrutura no cérebro, o hipotálamo, que gera as sensações de fome e de sede, geralmente em simultâneo.

Por fim, um dos desafios para quem sente fome emocional é arranjar atividades prazerosas e saudáveis, que possam ser utilizadas para substituir o conforto da comida. A atividade física e outras atividades de lazer são importantes para ocupar o corpo e a mente, e, desse modo, contrariar o impulso de comer quando não se tem fome (física).

Júlia Marçal (Psicóloga Social)
Autora do livro: A Comida como Almofada Emocional – Porque comemos sem ter fome?