Férias! Quem não gosta de uns dias de descanso, de aproveitar para recarregar energias, de ter tempo para fazer o que gosta? A chegada do verão é sinónimo de férias para a maior parte das pessoas. As tão desejadas férias são uma oportunidade para desligar do dia-a-dia exigente e absorvente, para relaxar e recuperar forças. Como tudo o que começa tem um fim, é importante, na vivência das férias, ter em conta o término desse período e preparar o regresso à rotina, de forma a minimizar o impacto dessa mudança.
O mês de Setembro é marcado pelo final das férias grandes e também pelo final do Verão. Após as férias voltam as rotinas, as responsabilidades. Não só os adultos regressam ao trabalho como as crianças e jovens iniciam um novo ano escolar, com tudo o que essa mudança implica ao nível individual e familiar.
- Para a maioria das pessoas o final das férias e regresso ao trabalho é vivido de forma natural, apesar de alguns sentimentos que podem surgir na adaptação. Para alguns podem surgir sentimentos de ansiedade e tristeza, por vezes frequentes e que se tornam difíceis de gerir. Pode estar presente um humor triste, preocupação, irritabilidade, aborrecimento, medo, alterações do padrão de sono e de alimentação, entre outros. Podem também surgir sintomas físicos como dores musculares, de cabeça e problemas gastrointestinais. Estes sintomas podem estar presentes no regresso ao trabalho, no regresso à escola, no retomar das rotinas, estando associados à perspectiva do trabalho após a paragem para férias, à adaptação ao ritmo laboral/escolar, à dinâmica familiar e à adaptação às rotinas.
- Caso estejam presentes estes sintomas estamos perante a síndrome pós-férias. Esta não é uma perturbação mental ou uma doença, mas sim de um conjunto de sentimentos que podem gerar preocupação ou desânimo. Estima-se que quatro a dez pessoas apresentem sintomas de depressão pós-férias. Estes podem durar até uma semana, estando relacionados com o período de adaptação ao trabalho, sendo que passado alguns dias acabam por desaparecer. Caso estes sentimentos se mantenham mais do que três semanas e, existam outros sintomas associados, deverá ser avaliada a situação. A manutenção dos sintomas deixa de estar relacionada com o regresso das férias, sendo essencial explorar o que estará a causar os mesmos.
- Que diferença existe entre as pessoas que conseguem retomar o trabalho sem grandes dificuldades e as que apresentam sintomas de depressão pós-férias? A resposta não está na qualidade das férias mas sim no grau de satisfação laboral. As condições e o ambiente de trabalho, a exigência, o stress, as relações interpessoais, a conciliação trabalho-família influenciam o regresso ao trabalho e podem aumentar o grau de insatisfação sentido anteriormente.
- De forma a minimizar o impacto do final das férias e início da rotina laboral e escolar, é importante refletir sobre o seu significado, tentando olhar para o pós-férias como uma fase temporária, com a qual se lida todos os anos. Para esta vivência ser o mais tranquila possível podemos adotar algumas estratégias. Antes de ir de férias é importante deixar o trabalho o mais organizado possível para que no regresso não tenha muitas situações pendentes. Um dos factores de stress no regresso ao trabalho é tudo o que ficou acumulado, sendo crucial gerir prioridades e não tentar resolver logo todos os assuntos. Gerir expectativas é essencial para evitar ficar frustrado e ansioso. Férias muitas vezes significa não ter horários. Para voltar à rotina e de forma a minimizar a sua adaptação pode-se regressar a casa dois ou três dias antes do regresso ao trabalho, permitindo também voltar a ter uma rotina de sono mais adequada aos horários laborais. Se possível, o regresso deve ser gradual, feito a meio da semana para que os dias de adaptação ao trabalho sejam menos antes de voltar a ter uma pausa, permitindo ter o fim-de-semana para se reorganizar. No primeiro dia de trabalho pode-se criar um espaço temporal para cuidar de nós próprios, para refletir e respirar, e depois replicar todos os dias. Para além do regresso ao trabalho, deve-se incluir o regresso a todas as rotinas, retomando as atividades que dão prazer. O fim de férias não tem que significar deixar de estar com os amigos e fazer atividades que gosta. É importante planear outros momentos, marcar encontros com amigos, desafiar-se, fazer exercício físico e outras actividades.
Voltar de férias significa dar início a um novo ciclo. É importante aceitarmos as emoções, compreendendo que é natural que surja algum desconforto no regresso ao trabalho. Com o passar dos dias a motivação e a estabilidade vão regressando. Regressar ao trabalho e à rotina não tem que ter só aspectos negativos. É importante valorizar os aspectos positivos procurando coisas que nos motivem. O nosso bem-estar emocional é um reflexo do nosso pensamento e o regresso de férias pode ser visto como uma oportunidade de mudar, de fazer melhor. As férias não podem ser o único momento positivo, a resposta para o nosso bem-estar. Este tem que estar presente no dia-a-dia. As férias acabaram e começou um novo ciclo.
Vamos decidir como o queremos viver! Bom regresso!

Catarina Moço
Psicóloga Clínica (OP 5069)