A importância da alimentação no sono e no rendimento desportivo

ae vs alimentacao sono web | Auchan&Eu

Aliado à alimentação saudável e à prática de exercício físico regular, o sono é um dos pilares mais importantes, tanto para a realização das nossas funções fisiológicas, como cognitivas. Este pode, ainda, afetar positivamente o desempenho desportivo, ainda que estudos indiquem que atletas têm menor qualidade e quantidade de sono, em comparação com não atletas, particularmente durante períodos de treino mais intenso antes da hora de dormir. 

ae vs alimentacao sono 400x400 | Auchan&Eu

O descanso insuficiente, e em particular o sono insuficiente, tem efeitos negativos no desempenho e rendimento desportivo como a redução da força, o aumento da fadiga e a alteração do humor, para além de exacerbar alguns sintomas cognitivos, imunitários e inflamatórios. 

Uma privação parcial crónica do sono pode ter várias origens, entre as quais alterações no apetite, no metabolismo dos hidratos de carbono e na síntese proteica. Em casos mais extremos, pode ainda influenciar negativamente o estado nutricional, metabólico e hormonal do atleta, impactando, assim, a sua saúde e, consequentemente, o seu desempenho desportivo.

Para além de algumas sugestões como melhorar o ambiente e organização do seu quarto; evitar luzes azuis antes de dormir (visto que a exposição da retina à luz resulta na supressão da secreção de melatonina) e criar rotinas regulares de sono fique com algumas estratégias alimentares para melhorar o sono, e consequentemente, o rendimento desportivo:

    1. Planeie horários de refeição consistentes: criar uma rotina alimentar é essencial na manutenção do ritmo biológico corporal;
    2. Consuma hidratos de carbono de alto índice glicêmico (IG) ao jantar: o arroz branco, a massa, o pão e as batatas tendem a diminuir o tempo necessário para adormecer caso sejam consumidos mais de 1 hora antes de dormir;
    3. Inclua alimentos ricos em triptofano:  alimentos ricos neste aminoácido ajudam na produção de serotonina e melatonina e consequentemente em menos episódios de vigília (privação do sono), são exemplos a carne de peru, os ovos, o queijo, a banana, o leite e as sementes de abóbora;
    4. Prefira refeições sólidas em detrimento de líquidas: para além de mais saciantes, reduzem o tempo necessário para adormecer;
    5. Evite refeições pesadas à noite: refeições muito próximas da hora de deitar e ricas em gordura podem originar algum tipo de desconforto e influenciar negativamente a duração e qualidade do sono;
    6. Evite grandes restrições calóricas: podem, também, influenciar negativamente a quantidade e qualidade do sono;
    7. Evite cafeína depois das 15h: bebidas como o café, o chá preto e os refrigerantes podem prejudicar a qualidade do sono mesmo de quem não é sensível;
    8. Evite as bebidas alcoólicas: estas dão uma falsa sensação de relaxamento, prejudicando as fases profundas do sono;
    9. Evite sobremesas açucaradas antes de dormir: podem originar picos energéticos excitatórios e despertadores;
    10. Adapte o treino à alimentação: ajuste o horário e a intensidade do exercício físico, para evitar que o treino (normalmente tardio) interfira com o sono.

Para além dos hidratos de carbono e do triptofano, a evidência científica sugere que plantas como a valeriana, hormonas como a melatonina, suplementos como o sumo de cereja ácida e micronutrientes como o ferro, o zinco e o magnésio, possam ter um potencial promissor na melhoria da quantidade e qualidade do sono, ainda que os resultados não sejam completamente conclusivos, sendo necessária uma maior investigação futura acerca deste tópico.

No rendimento desportivo, sem uma alimentação e um descanso adequados, o treino não vale de muito. Melhor sono; melhor alimentação; melhor performance desportiva!

Referências bibliográficas:
    1. Silber BY, Schmitt JA. Effects of tryptophan loading on human cognition, mood, and sleep. Neurosci Biobehav Rev. 34(3):387-407, 2010.
    2. Buscemi N, Vandermeer B, Hooton N, Pandya R, Tjosvold L, Hartling L, Baker G, Klassen TP, Vohra S. The efficacy and safety of exogenous melatonin for primary sleep disorders. A meta-analysis. J Gen Intern Med. 20(12):1151-8, 2005.
    3. Howatson G, Bell PG, Tallent J, Middleton B, McHugh MP, Ellis J. Effect of tart cherry juice (Prunus cerasus) on melatonin levels and enhanced sleep quality. Eur J Nutr. 51(8):909-16, 2012.
    4. Fernández-San-Martín MI, Masa-Font R, Palacios-Soler L, Sancho-Gómez P, Calbó-Caldentey C, Flores-Mateo G. Effectiveness of Valerian on insomnia: a meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Sleep Med. 11(6):505-11, 2010.
    5. Halson, S. Sleep in Elite Athletes and Nutritional Interventions to Enhance Sleep. Sports Medicine 44, S1, 13–23, 2014
    6. Ji X, Grandner MA, and Liu J. The relationship between micronutrient status and sleep patterns: a systematic review. Public Health Nutr 20: 687-701, 2017.
tomas prudencio web | Auchan&Eu

Tomás Prudêncio

Nutricionista Estagiário Auchan – Ordem dos Nutricionistas Nº 4610NE