O que andamos a comer?

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É bem provável que ainda não tenha ouvido falar dos resultados da Balança Alimentar Portuguesa (BAP); no entanto, se tem filhos em idade escolar, dificilmente lhe passou despercebida a modificação da oferta alimentar nos estabelecimentos de ensino.

O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo!

O desenvolvimento de políticas nutricionais, que promovam a melhoria da saúde da população depende de dados atualizados, quer sobre o consumo, quer sobre os nossos hábitos alimentares. E a BAP nada mais é do que uma forma indireta de obter uma parte desses dados. Desenvolvida periodicamente pelo Instituto Nacional de Estatística, a BAP fornece a disponibilidade alimentar per capita, através do cálculo das variações nas exportações, importações e produção nacional de géneros alimentícios.

Traduzindo por miúdos, é uma forma de analisarmos que tipos de alimentos (e consequentemente nutrientes) existem disponíveis por pessoa, por dia.

O que é que isso interessa? Se existe um grupo alimentar cuja disponibilidade aumentou é porque a procura também aumentou – e aparentemente o consumo. Se, porventura, esse grupo alimentar incluir alimentos cujo consumo deve ser limitado, é meio caminho andado para o desenvolvimento de políticas nutricionais – como é o caso da modificação da oferta alimentar em contexto escolar.

Agora que já está por dentro dos conceitos importantes, vamos analisar então os dados. Mas aviso já: não são famosos!

É importante não esquecer que o período de tempo analisado pela BPA vai de 2016 a 2020, o que inclui o início da pandemia COVID-19. Existe uma série de alterações, na disponibilidade alimentar, que são consequência da pandemia, e características apenas deste período. Com o confinamento e o encerramento da restauração, as famílias passaram a fazer mais refeições em casa, afetando a produção primária e a indústria alimentar. Houve uma diminuição, não só dos abates de animais, mas também das capturas de pescado, principalmente das espécies de maior valor comercial – decorrentes do decréscimo no consumo de carne e peixe pela restauração e hotelaria. Por outro lado, houve um aumento na procura de alguns produtos, como o leite, exercendo pressão sobre a indústria, a qual teve que se reorganizar em termos da produção.

Vamos então analisar os dados obtidos em comparação à edição anterior da BAP. E vamos começar pelas boas notícias, isto é, pelo que melhorou nestes últimos 4 anos.

  • a disponibilidade diária de fruta e leguminosas aumentou (apesar dos valores atuais ainda estarem longe das quantidades recomendadas pela roda dos alimentos) – estamos no bom caminho
  • para bem da nossa saúde, a disponibilidade de gorduras e óleos e do açúcar adicionado, diminuiu
  • para bem do nosso planeta, diminuiu a disponibilidade do grupo de leites e derivados
  • apesar de durante a pandemia o comportamento ter sido diferente, quando olhamos para o total dos 4 anos, e apesar de todos os alertas para o excesso do consumo de carne, as más notícias são que a disponibilidade deste grupo alimentar continua a aumentar, sendo a carne de animais de capoeira a mais disponível. Verificou-se também um aumento da disponibilidade de carne de bovino e diminuição da carne de suíno
  • com o início da pandemia, a disponibilidade de pescado também diminuiu, mas quando olhamos para o período completo em análise, vemos um aumento da disponibilidade deste alimentos. Pela primeira vez, a disponibilidade de crustáceos e moluscos ultrapassou a de bacalhau e peixes salgados. Por fim, a disponibilidade de ovos também aumentou
  • infelizmente o que se mantém estável, são os grupos cujas disponibilidades queríamos ter aumentado: cereais, derivados e tubérculos, e hortícolas.

Talvez como consequência do ritmo de vida cada vez mais acelerado verificou-se um aumento da disponibilidade de café, cacau e chocolate, das bebidas alcoólicas e não alcoólicas.

Em estilo de conclusão, é importante relembrar que o objetivo deve ser aproximarmo-nos, o mais possível, da Dieta Mediterrânica, considerada a mais saudável em todo o mundo. Conheça as nossas dicas sobre Dieta Mediterrânica.

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Maria Alexandra Domingues
Nutricionista Auchan
Ordem dos Nutricionistas 4219N