Poejo – A erva aromática do Alentejo e não só

O poejo (Mentha Pulegium L.) é originário da Europa, Norte de África e Ásia Ocidental e cresce em solo arenoso e argiloso. Tanto as folhas como as flores são comestíveis, tendo um aroma semelhante ao da hortelã-pimenta e um paladar é refrescante e aromático. É muito usado na gastronomia do Alentejo e Trás-os-Montes, mas é conhecido um pouco por todo o país. É ótimo para acompanhar saladas de frutas ou de legumes, pratos de carneiro, caracóis, sumos, cocktails e chás e é frequentemente usado em caldeiradas de peixe, açordas e outros cozinhados.

O poejo é ainda célebre graças ao licor que se faz a partir da sua planta: o Licor de Poejo sobre o qual existem inúmeras receitas1.

Empiricamente, o poejo é utilizado na falta de apetite, indigestão, dores gastrointestinais, dores reumáticas, bronquite e asma. Também é considerado um calmante, utilizado em situações de insónias1,2,3.

Em termos científicos, como todas as ervas aromáticas, o poejo tem fitoquímicos na sua composição. Estes são substâncias bioativas que atuam como antioxidantes, bactericidas, antivíricos, fitoesteróis e indutores ou inibidores de enzimas4,5.

Para reduzir o impacto da ação do calor sobre as vitaminas e os fitoquímicos, as ervas aromáticas devem ser adicionadas, de preferência, apenas no final da preparação. Os fitoquímicos presentes no poejo são: o eucaliptol, linalol e α-pineno4. Para além de fitoquímicos o poejo contém vitaminas (A e folatos), minerais (potássio e magnésio) e flavonóides5.

Contudo, é importante referir que, uma vez que a quantidade consumida de ervas aromáticas é reduzida, os benefícios para a saúde e o aporte nutricional podem, em alguns casos, ser pouco significativos. De todas as formas, para além de representarem a cultura local, as ervas aromáticas têm um benefício claro e incontestável, que justifica que se recomende o seu consumo diário: conferem sabor às preparações culinárias onde são utilizados o que permite reduzir a quantidade de sal usado4.

Para além disto, são consideradas excelentes fontes de antioxidantes naturais e, no limite, o potencial impacto biológico destes antioxidantes não pode ser ignorado5.

Referências bibliográficas:
  1. Poejo, Aromáticas Vivas
  2. Cunha, A.P., Ribeiro, J.A., Roque, O.R. (2007). Plantas aromáticas em Portugal. Caracterização e utilizações. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian
  3. Carvalho, A.M. (2010). Plantas y sabiduría popular del Parque Natural de Montesinho. Un estudio etnobotánico en Portugal. Biblioteca de Ciencias, Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Madrid, 450
  4. Aromatizar saberes: ervas aromáticas e salicórnia. E-book nº49 (Junho 2018)
  5. Ervas Aromáticas – Uma Estratégia para a Redução do Sal na Alimentação dos Portugueses. Programa Nacional Para a Promoção da Alimentação Saudável (Janeiro 2015).

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