O açúcar e os seus substitutos

acucar 911 | Auchan&Eu

Devido ao seu elevado apelo, o açúcar e produtos açucarados estão dentro dos alimentos mais populares e consumidos em todo o mundo. O açúcar é hoje um alimento barato, e os produtos açucarados tornaram-se prazeres comuns e acessíveis na nossa alimentação. Tal como a gordura, são facilmente consumidos em excesso nos produtos processados.

O açúcar pode ter origem na cana do açúcar ou na beterraba (mais comum nos países nórdicos), e está intrinsecamente ligado à saúde humana. O seu consumo em excesso pode aumentar o risco de desenvolvimento de obesidade, doenças cardiovasculares, síndrome metabólico, diabetes mellitus tipo 2, esteatose hepática não alcoólica, cáries dentárias, declínio cognitivo e alguns tipos de cancro.

As guidelines atuais recomendam uma redução do consumo de açúcares adicionados de menos de 10% do valor energético diário (o que representa cerca de 200 kcal por dia (ou 50g), para uma dieta com 2000 kcal). Estudos recentes indicam que o consumo de açúcares adicionados em adultos pode representar cerca de 7 a 11% do valor energético recomendado por dia, sendo este valor superior em crianças. Nos adultos, as principais categorias que contribuem para este consumo são: os produtos açucarados (doces, chocolates, biscoitos, bolos, açúcar, compotas) com um peso de 36 a 61%, as bebidas açucaradas com 12 a 31%, e os produtos lácteos com um peso de 4 a 15%.
A OMS declara ainda que uma redução abaixo dos 5% do valor energético diário, cerca de 25g/ dia, poderá trazer benefícios adicionais para a saúde.

Um dos maiores desenvolvimentos do século XX e XXI tem sido a tentativa industrial de mimetização do sabor e propriedades físicas do açúcar, sem os efeitos adversos que este tem no organismo humano. A indústria conseguiu desenvolver produtos que oferecem algumas das propriedades do açúcar, quer por derivação de plantas, quer por desenvolvimento de moléculas artificiais. Existem assim dois tipos de substitutos do açúcar. Os primeiros incluem hidratos de carbono não digeríveis em açúcares, e que por isso não aumentam a glicemia tão rapidamente e fornecem menos energia. Os segundos incluem os adoçantes artificiais. Estas moléculas providenciam a mesma sensação de doce, são tipicamente milhares de vezes mais doces que o açúcar (usados por isso em quantidades mínimas) e são fornecedoras de um teor vestigial de energia.

Para substituir o açúcar podem ser usados produtos como os açúcares álcoois (por exemplo xilitol), os adoçantes naturais (por exemplo stevia), adoçantes artificiais (por exemplo aspartame), mel, xaropes (por exemplo ácer ou agave, e milho ou malte). Embora sejam alternativas efetivas ao uso do açúcar, devem ser usados igualmente em moderação pois continuam a ser fornecedores de energia (umas alternativas mais do que outras; exceto os adoçantes não calóricos) e pelo facto de na sua maioria poderem aumentar igualmente a glicemia (mesmo que de forma mais ligeira).

Joana Pardal
Ordem dos Nutricionistas nº1636N.