Gengibre, a especiaria terapêutica

As especiarias são ingredientes muito usados milenarmente pelas suas diversas propriedades:

  • potenciam o sabor dos alimentos
  • melhoram o aspeto estético dos pratos
  • auxiliam na conservação dos alimentos
  • possuem propriedades terapêuticas

Ao contrário das ervas aromáticas, em que são usadas as folhas, flores ou caules das plantas, as especiarias podem ser sementes, frutos, raízes ou cascas.

O gengibre é o rizoma (raiz carnuda) de uma planta herbácea (Zingiber Officinale) da família das Zingiberaceae, na qual se inclui também a curcuma. Tem uma longa história de utilização, está mencionado em textos sânscritos bem como na antiga literatura Budista, Árabe, Grega e Romana.

Originário do Sudoeste Asiático, depressa chegou à Europa e à América pela mão dos mercadores e colonizadores, devido às suas características culinárias e terapêuticas. Atualmente, é cultivado em grande escala nos países tropicais, nomeadamente na Jamaica e amplamente utilizado na China, Japão, Indonésia, Índia e Tailândia.

A medicina chinesa e ayurvédica referem-se ao gengibre como o “remédio para o estômago” pelas suas propriedades carminativas (alívio da flatulência) e antieméticas (anti-náusea). Na China, o chá de gengibre, de sabor desagradável, é usado para tratamento de gripe, tosse, constipações e enxaquecas. No Japão, são realizadas massagens com óleo de gengibre para problemas nas articulações.

Atualmente, as diversas propriedades farmacológicas do gengibre são reconhecidas e fundamentadas por diversos estudos científicos; análises feitas ao rizoma do gengibre identificam mais de 400 componentes diferentes, dos quais se destacam os fitonutrientes, compostos fenólicos e flavonoides, responsáveis por estas mesmas propriedades.

Principais propriedades farmacológicas do gengibre:

  • Antioxidantes e anticancerígenas pela redução do stress oxidativo e neutralização de radicais livres, contrariando o surgimento e/ ou progressão de doenças como o cancro ou a aterosclerose
  • Anti-inflamatórias e analgésicas (devido à capacidade de bloquear vários mecanismos de resposta inflamatória e consequentemente acompanhados de efeito analgésico)
  • Antimicrobianas, antifúngicas e de prevenção ao crescimento de microrganismos (especificamente devido ao gingerol, shogaol e flavonóides em geral)
  • Antidiabética pelas características hipoglicemiantes e melhoria na resistência à insulina
  • Antiemética, uma das principais utilizações do gengibre, como já referido anteriormente, na medida em que atua no trato intestinal. Segundo a Academy of Nutrition and Dietetics, acredita-se que será o 6-gingerol, o composto responsável pela redução de náuseas e sintomas de vertigem.

Relativamente à composição nutricional, o gengibre é fonte de fibra e potássio. E fornece 11% da dose de referência para o magnésio e 14% para a vitamina B6. Apresenta, também, baixo teor de açúcares e não tem gordura saturada, como se pode ver na tabela.

 

 

A raiz do gengibre é caracterizada pelo seu sabor picante e um pouco amargo (podendo identificar-se com o sabor do limão), bem como pelo aroma refrescante que liberta quando cortada. Contudo, é mais comum encontrar a raiz seca (pó de cor amarelada), podendo ser utilizada também na forma de pasta ou como aromatizante, tanto em bebidas (batidos, marinadas, chás) como em comidas doces ou salgadas (pastelaria, sopas, estufados).

Ficam algumas sugestões de como pode incorporar o gengibre na sua alimentação diária:


Marisa Gomes do Vale

Nutricionista Auchan
Membro da Ordem dos Nutricionistas nº 3066NE