Louro – Um dos reis da dieta mediterrânea

As ervas aromáticas culinárias representam a parte comestível das plantas, que geralmente são adicionadas aos alimentos pelas suas propriedades organoléticas (aromáticas e visuais), as quais potenciam o sabor e nutrientes dos pratos. A região Mediterrânica tem destaque por ser um local muito rico em diferentes e variadas plantas aromáticas como, por exemplo, o alecrim, os orégãos e o louro.

O louro ou loureiro, ou Laurus nobilis, é uma árvore do género Laurus da família botânica das Lauraceae e cresce em áreas de bosque com clima ameno. As estruturas consumidas desta planta são as folhas, tanto em estado fresco como seco, sendo que, nas receitas da gastronomia portuguesa, o mais comum é a utilização em estado seco. As folhas de louro têm cores verde escura no estado fresco e castanha no estado seco.

Benefícios do louro

Os valores de nutrientes, que se destacam da composição nutricional do louro seco, são:

  • fibra
  • vitaminas A e C
  • cálcio
  • potássio

Para além destes nutrientes, existem os fitoquímicos Metil Pentanoato, 2-etil-isovalerato e 1,8 cineol, que são substâncias bioactivas que desempenham funções fisiológicas importantes, tais como:

  • a inibição da ação dos radicais livres (poder antioxidante)
  • a modulação do processo de carcinogénese
  • o decréscimo dos níveis de colesterol no sangue, pela redução da oxidação do colesterol LDL (geralmente conhecido como “mau colesterol”).

 

 

Note-se que o consumo do louro, tal como de outras plantas aromáticas, é feito em quantidade reduzida. Pelo que os benefícios para a saúde, e o valor nutricional, poderão ser pouco significativo. No entanto, o seu consumo diário é incentivado pela Roda da Alimentação Mediterrânica e justifica-se muito também pela sua utilidade na redução do sal na confeção culinária.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma ingestão diária máxima de 5 gramas de sal. No entanto, em Portugal o consumo é cerca de 7,3 g de sal, por dia, conforme os dados do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF).

A elevada ingestão de sal contribui para a Hipertensão Arterial e aumenta o risco de doença cardiovascular, pelo que é fundamental a redução do sal na alimentação. A OMS estima que 2.5 milhões de mortes poderiam ser evitadas se a redução de consumo de sal, a nível mundial, fosse reduzido para os valores recomendados.

Assim, o louro, tal como outras plantas aromáticas, constitui uma das principais estratégias para a redução do sal na culinária diária, sendo frequentemente utilizado em estufados e caldos, em pratos de carne de porco, feijão e peixe.

Ficam aqui algumas ideias de como pode incorporar o louro na sua alimentação:

Referências bibliográficas:
  1. Cunha, A. Proença, Silva; Alda Ferreira; Roque, Odete Rodrigues; “Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia”, 3ª Edição, Fundação Calouste Gulbenkian
  2. Meskin M; Bidlack W et al. Phytochemicals: mechanism of action. CRC Press. 2004.
  3. ESA. ESA definitions of culinary herbs and spices. European Spice Association.
  4. Nutritional values
  5. Aromatizar saberes. Associação Portuguesa de Nutrição
  6. Salt Reduction, World Health Organization.
  7. Regulamento da União Europeia nº1169/2011 de 25 de outubro de 2001


Marisa Gomes do Vale

Nutricionista Auchan
Membro da Ordem dos Nutricionistas nº 3066NE

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