Alimentação Sustentável

O tema da Alimentação Sustentável tem sido diversamente abordado, dada a crescente preocupação com o planeta e as repercussões que a alimentação atual terá nas gerações vindouras.

Estima-se que, em 2050, sejamos mais de 9 biliões de pessoas.

Este crescimento exacerbado relaciona-se com a massificação da agricultura e da produção animal. Dado o panorama atual, tornou-se fulcral a criação do termo, como uma solução para o equilíbrio entre a saúde ambiental, a escassez de recursos, a produção alimentar e o consequente desperdício alimentar. Sabe-se que 1.3 biliões de toneladas de alimentos são desperdiçados anualmente, sendo responsáveis pela emissão de 8% dos gases de efeito de estufa.

Assim, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reconhece Sustentabilidade como um conjunto de práticas, que permitem garantir os direitos do homem, satisfazendo as necessidades presentes e futuras. Sem causar danos irreversíveis no ecossistema e sem comprometer o futuro das seguintes gerações.

Existem vários modos de produção sustentável:

  • integrada
  • de conservação
  • de precisão
  • natural
  • permacultura
  • biodinâmica
  • biológica

Estes têm em comum a produção de bens alimentares de elevada qualidade, com recurso a melhores práticas ambientais. Assegurando a preservação dos recursos naturais e da biodiversidade, a manutenção do bem-estar dos animais e a preferência de produtos obtidos, utilizando substâncias e processos naturais, com a produção de um menor impacto ambiental.

A agricultura biológica tem sido o método com maior crescimento em Portugal.

Em 2017, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) revelou que 47,7% dos portugueses consideravam a compra de produtos biológicos. Nesse ano, o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) constatou que os hortícolas (16,7%) e as frutas (14,7%) foram os alimentos biológicos mais consumidos.

Alimentação sustentável

A Alimentação Sustentável caracteriza-se pelo consumo alimentar de géneros alimentícios sujeitos a modos de produção sustentável. Distingue-se pela preferência de produtos de origem vegetal, locais (produzidos na proximidade, com uma cadeia de distribuição curta) e sazonais (característicos de uma época, com um custo económico e ambiental inferior, que tendem a possuir melhores características organolépticas e nutricionais).

A Dieta Mediterrânica comporta-se como uma das alternativas mais adequadas ao nível nutricional e sustentável.

Neste sentido, salienta-se o Modelo da Dupla Pirâmide, desenvolvido pelo BCFN Foundation, constituído pela pirâmide alimentar, regida pelos princípios da Dieta Mediterrânica e pela pirâmide ambiental, disposta em função do impacto ambiental. Os alimentos com menor impacto ambiental correspondem aos alimentos, para os quais se recomenda um consumo superior. Nomeadamente, os hortícolas, as frutas, os cereais integrais e seus derivados, os tubérculos e as leguminosas.

Como construir uma alimentação sustentável?

Destacam-se algumas práticas que produzem menor impacto ambiental, fáceis de introduzir na sua rotina diária:

  • Prefira produtos frescos, locais e sazonais
    Estes tendem a ter características nutricionais e organolépticas superiores. Sempre que possível, opte pelos produtos de agricultura biológica
  • Adote uma alimentação com base na Dieta Mediterrânica
    Privilegiando o consumo de produtos de origem vegetal (1/2 do prato), sendo que os produtos de origem animal devem representar (¼ do prato)
  • Repense, Reduza, Reutilize e Recicle
    • Repense o seu consumo e evite ao máximo o desperdício alimentar
      • Realize uma lista de compras e adquira apenas alimentos que irá consumir
      • Atente nas datas de validade dos alimentos que tem no domicílio
      • Reaproveite as sobras de refeições anteriores e crie novos pratos. Com o desperdício resultante do descasque de hortícolas, por exemplo, faça um caldo de legumes
    • Reduza e economize recursos naturais
      • Utilize a panela de pressão que permite cozinhar mais rapidamente. Limite o uso do forno. Ferva a água num jarro elétrico em vez da panela. Mantenha a panela fechada, enquanto cozinha e desligue o fogão pouco tempo antes do final da cozedura
      • Prefira produtos avulso e limite a aquisição de produtos embalados
    • Reutilize e dê uma nova vida às embalagens e frascos que tem em casa. Deixe de lado as garrafas de plástico descartáveis e adquira uma garrafa de água reutilizável, livre de Bisfenol – A (BPA), visto ser um produto químico usado na produção de plásticos de policarbonato, que se comporta como um desregulador endócrino
    • Recicle os materiais que já não têm utilidade e permita que estes ganhem uma nova vida

Construir uma visão comum para a sustentabilidade alimentar e agricultura depende de cada um de nós. (FAO, 2014)

Encontre estas e muitas outras receitas deliciosas com base numa alimentação sustentável:

 

Daniela Cação, Nutricionista Auchan
Membro da Ordem dos Nutricionistas, nº4295N