Algas: os legumes do mar

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Já todos nos apercebemos que os hábitos de consumo estão a mudar. Quer seja pela procura de produtos mais sustentáveis, quer seja por força da globalização que facilita a chegada de hábitos e de produtos específicos de determinados pontos do mundo a todo o lado, quer seja pela curiosidade de experimentar (ou por qualquer outra razão) a verdade é que comemos hoje em dia o que nunca passou pela cabeça dos nossos avós comer. E isso não é mau, antes pelo contrário… na maioria das vezes até é benéfico.

Veja-se o exemplo das algas. Sabia que entre 2005 e 2015 a produção mundial de algas duplicou?

É verdade que 60% da produção mundial de algas é consumida nos países asiáticos (o que não é de estranhar) mas, em 2016, a União Europeia ocupou a segunda posição, em termos de importação de algas1.

As algas têm vindo a ser utilizadas em várias vertentes:

  • na indústria alimentar (algumas têm capacidade de criar consistências de gel, como é o caso do agar-agar utilizado, por exemplo, para fazer gelatina vegetal), farmacêutica e cosmétic
  • na agropecuária (em fertilizantes agrícolas)
  • para consumo humano, em sopas, saladas, condimentos e produtos processados

Algas há muitas e dividem-se em 2 grandes grupos:

  • Microalgas: são algas de tamanho microscópico que crescem em condições diversas, não apenas em ambiente marinho e que têm uma enorme diversidade de cores e aparências
  • Macroalgas: são organismos mais complexos, visíveis a olho nu, que crescem em água salgada/ambiente marinho e que podem ser classificadas de acordo com a sua pigmentação em: algas verdes (Chlorophyta), algas vermelhas (Rhodophyta) e algas castanhas (Ochrophyta, Phaeophyceae)

Características nutricionais das algas

Em termos gerais, as algas são fonte:

  • Proteína: embora o teor de proteína varie de espécie para espécie e ao longo do ano, em média as macroalgas têm um teor proteico de 17%, sendo as macroalgas verdes e vermelhas as que apresentam maiores teores. O máximo encontrado foi de 47% na Pyropia tenera. Algumas algas têm mesmo na sua constituição alguns aminoácidos essenciais, como a histidina, a leucina, a isoleucina e a valina
  • Fibra: as macroalgas apresentam quantidades elevadas de fibra (23,5% a 64,0% do peso seco), nomeadamente fibra solúvel que, quando fermenta produz ácidos gordos de cadeia que apresentam, por exemplo, efeito prebiótico e de melhoria de processos imunológicos e de homeostasia. Por outro lado, a fibra aumenta a sensação de saciedade e, por sua vez, influenciar o controlo do peso
  • Vitaminas e minerais: antes de mais, há que lembrar que a composição em micronutrientes das algas varia de acordo com as espécies, os fatores ambientais, sazonais, de processamento e confeção/cocção. De todas as formas, em termos gerais, as algas são fontes de vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina C e vitamina E e de minerais como o iodo, o ferro, o potássio, o cálcio e o sódio. Esta riqueza em micronutrientes fazem das algas uma excelente opção em dietas vegetarianas/veganas. Será apenas importante tomar atenção ao consumo das algas mais ricas em iodo e em sódio já que um consumo excessivo pode interferir com problemas da glândula da tiroide e doenças cardiovasculares
  • Ácidos gordos polinsaturados: as algas são uma boa fonte de ácidos gordos essenciais, como o ácido Eicosapentaenóico (EPA), ácido Docosaexaenóico (DHA) e ácido Alfa-linolénico (ALA)), sendo o EPA o ácido gordo mais predominante nas macroalgas
  • Fitoquímicos: os mais conhecidos e estudados nas algas são os flavonóides, os ácidos fenólicos e os carotenoides, nomeadamente o β-caroteno. Estes fitoquímicos podem ter um papel muito positivo para a saúde.

Tal como em qualquer alimento, o consumo de algas em excesso pode induzir riscos. Alguns dos riscos existentes são: a ingestão de metais pesados, reações alérgicas, intoxicações alimentares e presença de pesticidas. É fundamental seguir as regras de uma alimentação saudável, lembrando-se que ela deve ser variada e que nenhum alimento deve ser consumido em exagero. Por outro lado, garanta que adquire algas que sejam seguras, do ponto de vista alimentar.

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Referências bibliográficas:
  1. Associação Portuguesa de Nutrição. Algas a gosto: considerações nutricionais e de saúde. E-book n.º 51. Porto: Associação Portuguesa de Nutrição; 2019
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Cátia Gouveia Miguel
Nutricionista Auchan
Ordem dos Nutricionistas Nº 1757N