Yoga suspenso: encontrar a felicidade em 4 metros de tecido

Felicidade no yoga suspenso

O yoga suspenso foi criado em Portugal, por Rui Oliveira e Costa. Tem a sua casa no Jaya Aerial Lab, em Lisboa, mas já conta com instrutores em vários pontos do país.

Esta modalidade, profundamente ligada ao Hatha yoga e às práticas de Iyengar yoga, utiliza um tecido – semelhante aos tecidos verticais circenses – suspenso em forma de U, como um baloiço que pode ficar a 1,20m ou 2m de altura. A versão mais inicial da prática, com o tecido à altura da cintura, permite fazer uma viagem um pouco diferente pelas práticas de yoga e pela iniciação às modalidades aéreas, com algumas posturas tornadas mais acessíveis e outras mais desafiantes pela presença do tecido.

É também através do yoga que há um ganho muito significativo de consciência corporal e de movimento, além das mais óbvias: força, flexibilidade, equilíbrio e coordenação. A exploração dos vários alinhamentos, do uso da respiração durante a prática e em exercícios específicos, a iniciação à meditação e o relaxamento final são também dignos de nota e uma fonte de descobertas a que muitos já não se dedicam desde a adolescência: o conhecimento de si mesmo.

Mais do que os benefícios e ganhos técnicos, o yoga suspenso transmite uma sensação maravilhosa, que com alguma modéstia – e tendo em conta a subjectividade desta observação – se pode descrever como serena euforia. Desde a primeira aula, a viagem pelas várias posturas faz com que se fique deslumbrado com os movimentos que, afinal, o nosso corpo consegue fazer. No entanto, toda a aula se passa num tom calmo, fluido e encadeado. Ao passar de um exercício para o outro, usando a respiração nos movimentos e permanências, há uma constante aprendizagem sobre o corpo, os seus limites e capacidades. Posições como estar de pé em cima do tecido na postura da árvore, ficar de cabeça para baixo suportado pelo tecido ou relaxar como se estivesse dentro de um casulo podem ser autênticas epifanias, e o quebrar de barreiras muito antigas acerca da percepção do que o corpo pode ou não fazer.

Esta modalidade pode ser praticada por pessoas de todas as idades, feita a ressalva de que se deve consultar o médico previamente para determinar se existem contra-indicações ou precauções a ter em atenção. As aulas têm normalmente uma estrutura lógica e variada, em que se contempla a mobilidade articular, condição física, flexibilidade, técnica e a componente restaurativa. Esta última permite ajudar o corpo a lidar com os vários problemas musculo-esqueléticos que vão surgindo ao longo da vida, desde a tensão muscular pós-exercício, a sequelas de hérnias ou artroses, dor ciática, entre outras condições.

O yoga suspenso, no seu todo, ajuda também a lidar com o stress físico, mental e emocional da vida diária e um excelente aliado para aliviar problemas como a ansiedade, depressão e os distúrbios do sono. Sendo uma combinação de yoga com modalidades aéreas, o yoga suspenso pode ser a porta de entrada para ambas as partes, e o início de uma forma de exercício muito recompensante, e que verdadeiramente nos deixa contentes, serenos e com vontade de aprender mais.

Aceita o desafio?

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta