Exercício a caminho do trabalho, da escola e da universidade

Para muitas pessoas falar em ciclovias pode ser quase como falar de algo exótico. Algo que existe e é muito usado no centro da Europa, mais plano e talvez mais preparado. Mas a mentalidade está a mudar.

Apesar de não ter o hábito do uso da bicicleta tão enraizado como noutros países – ter uma cidade de sete colinas como capital pode, à primeira vista, demover os menos aventureiros – tem havido nos últimos anos um grande esforço para fazer da bicicleta um transporte recorrente nas zonas urbanas. Quer nas deslocações diárias, quer nas férias ou nos tempos livres, promovendo a mobilidade sustentável.

Veja neste vídeo algumas dicas e conselhos de segurança para trazer a mobilidade sustentável para a sua vida!

Segundo o site ciclovia.pt, há 1606,362 km de vias de mobilidade sustentável em Portugal. O site apresenta uma lista exaustiva, por região e distrito. Vale a pena explorar a galeria de fotografias, que deixa o mais sedentário com vontade de experimentar. Também pode encontrar um mapa com todas as vias de mobilidade sustentável do país, bem como pontos de interesse para os utilizadores:

  • zonas de “estacionamento” seguro
  • pontos de aluguer de bicicletas partilhadas
  • lojas da especialidade
  • oficinas
  • zonas em obras, entre outros

As vias de mobilidade sustentável dividem-se em vários tipos, dos quais a ciclovia é a mais conhecida. Trata-se simplesmente de uma via reservada a pessoas em bicicletas. Nas grandes cidades há também ciclofaixas. Trata-se de uma via de trânsito, ao lado das vias para automóveis, separada destes apenas por blocos de cimento. É um pouco mais pequena que a ciclovia, e envolve uma convivência mais de perto com os automóveis.

Na cidade, o uso de ciclovias começa a ser uma opção a ter em conta, dependendo das deslocações que faz.

A distância de referência para o uso da bicicleta é em percursos inferiores a 6km, embora esse número não leve em conta quão acidentado é o caminho. Pense nas vantagens de usar um meio de transporte económico, limpo e que ainda lhe proporciona alguma atividade física. Pedalar ao início e ao final do dia pode tornar-se num momento quase meditativo. É um meio-termo entre o conforto de andar sobre rodas e desfrutar da paisagem, mas sem trânsito, e a agradável cadência de movimentos de andar a pé, mas sem sentir tanto o peso do que leva consigo, e com uma viagem mais rápida.

Pondere se a bicicleta poderia eventualmente substituir o carro nas suas deslocações diárias, pelo menos em parte dos dias.

É certo que, se tem que subir uma ladeira íngreme para ir para casa ou para o trabalho, talvez não seja a opção que o vai deixar mais apresentável quando chegar. Mesmo assim, não há grandes desculpas, uma vez que existem bicicletas com um pequeno motor elétrico, que “pedalam” por si nas partes mais difíceis do caminho. Pode ser o início de um “vício” dos bons.

Recentemente, a Câmara Municipal de Lisboa lançou um incentivo à compra de bicicletas como meio de transporte a moradores e trabalhadores da cidade. As informações sobre critérios de inclusão e lojas parceiras estão disponíveis no site do Município. Se vive ou trabalha na cidade, vale a pena fazer as contas e ponderar esta aventura.

Mas não se pense que a mobilidade sustentável se resume à mobilidade urbana. Há muito para descobrir em duas rodas, por esse país fora. As ecovias proliferam no país, percorrendo paisagens idílicas e pouco exploradas. São destinadas tanto a passeios pedestres como de bicicleta, e têm a particularidade de ligar pontos de interesse ambiental, dentro das localidades ou a nível regional.

Já as ecopistas têm uma história diferente e peculiar. Trata-se do aproveitamento dos antigos caminhos de ferro, entretanto desativados. São vias longas e ininterruptas que passam por regiões de beleza ímpar e proporcionam passeios de uma riqueza paisagística que dificilmente teria na estrada. As zonas centro e interior do país são particularmente ricas em ecovias e ecopistas, além de ciclovias em locais emblemáticos ou que mostram o melhor em cada localidade.

Neste ano, em que se encoraja o turismo nacional, e que a ordem é para evitar locais onde haja muitas pessoas, explorar estas regiões e descobrir a imensa oferta que têm nunca foi tão apelativo. Aventure-se por estes percursos, sozinho, em casal ou em família.

Mas nem só de bicicletas vivem as vias de mobilidade sustentável.

Pode sempre fazer a maioria delas a pé, ou quem sabe em alternativas como o skate, os patins em linha, ou as já populares trotinetas.

Seja qual for o meio de transporte que eleger, há algumas regras de segurança que deve ter em conta.

Mantenha o seu equipamento em bom estado de funcionamento

De preferência, complemente-o com equipamentos de segurança, tais como o capacete. Os mais cautelosos poderão também usar luvas, joelheiras ou cotoveleiras, para evitarem magoar-se em caso de queda. Diz a sabedoria popular que nunca esquecemos como andar de bicicleta, mas por vezes o trânsito, a carga e a convivência com outros ciclistas pode provocar acidentes, sobretudo nos primeiros tempos. Mais vale prevenir que remediar.

Mesmo que não tenha a carta de condução, reveja o código da estrada

Saiba o que os sinais significam e as regras da prioridade de veículos e peões. Quanto melhor souber as normas, mais vai contribuir para a cortesia no trânsito e para a harmonia da mobilidade de todos. Além da sinalização básica, vertical e na estrada, algumas vias de mobilidade sustentável têm sinalização própria.

Dependendo do contexto em que trabalha, é possível que tenha que prever algumas alterações na roupa que usa, para que esta não atrapalhe o movimento. Se não costuma praticar este tipo de atividades, experimente um breve aquecimento antes de sair de casa. Não é necessário dar uma corrida nem nada do género! No entanto, mobilizar as principais articulações envolvidas – coluna, ancas, joelhos, tornozelos – pode ser uma grande ajuda para prevenir “lesões do iniciante” e para não se sentir tão dorido nos primeiros dias.

Ao chegar a casa, opte também por uma sequência leve de alongamentos, principalmente de pernas e costas, para não sentir tanto a dor pós-exercício. Nenhuma destas sequências – de aquecimento e alongamento – tem que demorar mais que cinco minutos, no início e final de dia, respetivamente. Se durante a prática surgir alguma dor ou outro sintoma, consulte o seu médico ou fisioterapeuta o quanto antes, para entender o que se passa e como pode prevenir essas dores. Mesmo numa atividade básica como andar de bicicleta – ou correr, ou mesmo andar – existe um gesto técnico, com um alinhamento desejável que deve ser mantido para evitar lesões.

Por último, e num tempo em que a distância social é um fator obrigatório, não se esqueça de manter a distância dos outros utilizadores das vias de mobilidade sustentável. Para todos os efeitos, trata-se de prática de exercício. Recomenda-se que esteja a, pelo menos, dois metros de distância dos outros.

Relativamente ao uso de máscara, as recomendações podem variar. Por um lado, trata-se de exercício, e manter a máscara torna a atividade mais desgastante. Por outro lado, nas grandes cidades, há quem mantenha a máscara, não só como medida adicional de prevenção do contágio, mas também para não se sentir tão afetado pela poluição vinda do tráfego intenso.

Se sonha com mais qualidade de vida, e com a redução da sua pegada ecológica, comece hoje mesmo a ponderar tirar partido das ciclovias e das várias opções de transporte, não só mais verde, como mais económico.

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta
Instrutora de Yoga Suspenso, Gyrotonic e Gyrokinesis (aplicação na perda de mobilidade, prevenção de problemas músculo-esqueléticos, pré e pós-parto)

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