Meditar sem preconceitos

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Costumamos encarar a meditação como algo difícil de introduzir na vida atarefada de hoje. Pensamos que a agenda não o permite, que não temos o espaço ideal e muito menos a capacidade de não pensar em nada durante alguns minutos. Fazemos por isso um convite: deixar cair por terra algumas dessas ideias!

 

Nem sítio nem hora

Para algumas pessoas, pode ser mais fácil estabelecer uma rotina e contar com a vontade férrea de a manter, mas para a maioria isso é uma fonte de ansiedade que faz aplicar o princípio de “perdido por cem, perdido por mil” e nunca mais voltar a tentar. Não se pressione, perdoe-se se um dia não conseguir, e sobretudo, cultive a curiosidade de tentar outra vez, em circunstâncias diferentes.

 

Não há nenhuma duração obrigatória

Normalmente, os livros e as aplicações sugerem cerca de 5 minutos, o que para alguns pode ser uma eternidade. Use o temporizador do seu telemóvel e marque os minutos ou os segundos que está disposto a ceder a essa experiência nesse dia. Não existe uma “duração mínima” nem a obrigação de evoluir; desfrute do que lhe parece adequado para si naquele momento.

 

É quase impossível não pensar

E ainda bem que assim é. Temos um cérebro adaptado a várias tarefas diferentes e resolução de problemas rápida e simultaneamente. Não é de um dia para o outro que se consegue abrandar. A ideia não é não pensar, mas deixar os pensamentos passarem por si sem se demorarem, sem os rotular, e sobretudo sem se punir por estar a pensar. Meditar tem o potencial de ser um prazer, não deve ser associado a um castigo.

 

Como começar?

Em qualquer altura do dia, escolha um sítio e momento em que dificilmente será perturbado/a: por exemplo, no seu quarto antes de acordar a família; no duche; no carro (estacionado, claro está). Se sentir que não o deixam em paz por um minuto que seja, tente lugares mais criativos, como a casa de banho do escritório ou o provador de uma loja.
Ponha o seu telemóvel em modo de voo para ter a certeza de não ser incomodado/a (não se esqueça de o desativar no final) e ligue o temporizador para a duração do exercício, dois minutos, por exemplo.

Sente-se confortavelmente e feche os olhos. Procure ficar imóvel à exceção dos movimentos respiratórios. Acompanhe, sem interferir, a passagem do ar pelas narinas e o seu percurso para dentro e fora dos pulmões. A ideia é ser observador de si próprio/a, sem juízos de valor. Se algum pensamento se materializar, mentalmente diga-lhe “até já” e volte a dar atenção à respiração.

Certamente o tempo que decidiu dedicar à meditação passará mais depressa do que estava à espera. E se assim não for, pode sempre ajustar. Há aplicações com meditação guiada que lhe podem facilitar ainda mais a vida, bastando para isso ter uns headphones e seguir as indicações.

 

Desfrute dos efeitos

Muitas pessoas, mesmo as que inicialmente são céticas, acabam por pensar na meditação como um ganho, não uma perda, de tempo. Parar por uns momentos permite ao cérebro resolver problemas em segundo plano, pelo que por vezes sucede avançar-se na solução de um problema complexo depois de meditar. Além disso, ajuda a controlar as emoções e a colocar os pensamentos em perspectiva. É interessante e quase paradoxal, numa sociedade que nos empurra para a rapidez e o excesso de informação, apercebermo-nos que parar no momento certo pode ser a solução mais produtiva e saudável.

 

Estão inspirados? Boa meditação!

 

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta