Bom é gerir o equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Equilibrio entre vida profissional e vida social

Na era digital, e sobretudo nas profissões em que o computador e a internet são os principais recursos, as horas dedicadas ao trabalho multiplicam-se. E invadem todos os momentos da vida, muito para lá dos que, à partida, seriam dedicados ao exercício da profissão.

Publicidade e redes sociais acenam com vidas de liberdade e de mobilidade em que, com um computador portátil e uma ligação à rede, o profissional trabalha desde uma praia paradisíaca.

Mas, para a maioria da população, isto não podia estar mais longe da verdade. O cenário mais comum é completamente diferente. E inclui, adiar ou cancelar planos de fim de semana com as crianças, planos românticos ou uma noitada com amigos, porque há trabalho para acabar.

Esses pequenos e grandes “furtos” de tempo parecem inofensivos na altura. Mas quando acumulados são uma ameaça ao bem-estar mental e emocional do profissional e da sua família. E, em última instância, da comunidade em que vivem. Os adultos estão constantemente cansados, não conseguem desfrutar dos momentos livres porque estão ligados ao trabalho, e não conseguem ser tão produtivos a trabalhar porque o esgotamento físico e mental já não permite dar cem por cento.

 É importante reformular alguns hábitos

Assim, dentro da margem de manobra de cada um, é preciso encontrar um equilíbrio entre a vida profissional, que nos sustenta e, com sorte, nos enche as medidas. E a vida social, que é onde encontramos as várias formas de amor e amizade, que dão sentido à vida, e recarregamos baterias.

Imponha limites

Procure disciplinar-se – e disciplinar quem interage profissionalmente consigo – a impor alguns limites no que toca a levar trabalho para casa. Responder a e-mails num sábado à tarde, ou às quatro da manhã de sexta-feira manda a mensagem errada de que está sempre disponível. E, quando der por si, os outros inconscientemente acham que está em falta se passa o fim de semana e não lhes disse nada.

A mudança começa pelos limites que impõe a si mesmo, para bem da sua sanidade mental. Se não consegue banir totalmente o trabalho do serão e do fim de semana, restrinja-o a um tempo limitado. Por exemplo, só responda a emails entre as 11h e as 12h de sábado e entre as 17h e 18h de domingo. Fora desses horários, a não ser que o escritório esteja a arder, não está para ninguém. Ou melhor, está para si e para as suas pessoas, que constroem a vida consigo.

Ao final do dia de semana é mais difícil encontrar este equilíbrio.

No entanto, há pequenas “armadilhas” que pode montar para si mesmo. Se tem essa liberdade ao final do dia, escolha esse momento para ir o ginásio, ao yoga, a uma aula de qualquer coisa onde o telemóvel não entre. Assim, tem aquela hora só para si, e para os seus interesses. Um pequeno oásis livre de tecnologia e trabalho durante a semana. Melhor ainda, combine com um amigo experimentarem uma aula diferente por mês. Assim, alia o convívio e uma atividade que lhe agrade. E quem sabe encontram a vossa modalidade ideal e inscrevem-se, criando assim um bom momento de aprendizagem e amizade no meio da semana.

Se os seus filhos têm atividades, comprometa-se a ir levá-los e buscá-los no final. Esta é uma óptima estratégia para sair do emprego a tempo – deixar os seus filhos pendurados não é opção. Desta forma, tem o seu momento de resposta a emails, enquanto decorre a aula, após o qual pode fechar o dia e estar completamente disponível para a família e para si próprio. No final do dia, depois de as crianças irem para a cama, não ceda à tentação de ir ver o email de trabalho. Dedique-se ao seu companheiro ou companheira e, se estiver sozinho, dedique-se a si. Nestes pequenos momentos é que se restabelecem as energias do dia.

Crie momentos de convívio nos intervalos

Se o seu emprego tem pausas instituídas para almoço e para café, aproveite uma dessas pausas para um breve encontro com um amigo. Alguém com quem possa estar bem-disposto e a falar de temas fora do trabalho. Às vezes 10 minutos são suficientes, e podem dar um impulso produtivo no trabalho dessa manhã. À hora de almoço, procure combinar, de vez em quando, almoçar com alguém que lhe “areje” a cabeça. Como um amigo, o seu companheiro, um dos seus filhos ou mesmo um, ou mais, colegas de trabalho. Claro, desde que não seja esse o tema de conversa à mesa. Respeite as horas das pausas. Isso dará o mote para que respeite as suas próprias horas livres, instituídas ao final do dia e ao fim de semana.

Crie recompensas saudáveis

Se num fim de semana tiver que reunir com colegas, ou se todos têm que trabalhar horas extra para acabar um projeto – assumindo que se dão bem e há um certo grau de amizade – experimente reunir todos em casa. Marque uma hora para começar e acabar o trabalho e um bom programa no fim. Como um merecido jantar fora, levar as crianças a um parque temático ou irem todos juntos ao cinema. Sempre com hora marcada, para não adiar.

Se o convívio com colegas não for da sua preferência, e se tem um projeto em mão que precisa de acabar durante o fim de semana, faça os possíveis para tirar um dos dias para si. Deste forma, concentra todo o trabalho no outro dia. Estabeleça as suas horas e respeite-as, comemorando o trabalho produtivo com um momento de diversão e relaxamento. Faça uma lista de possíveis recompensas para estas alturas. Ou, melhor ainda, faça uma lista de amigos com quem gostaria de estar e ligue a um ou mais para combinar um programa. Quando se tem um encontro marcado com amigos, é mais fácil ser fiel ao planeado. Sem combinações, de facto é como navegar eternamente num mar de ideias e programas, que nunca se concretizam por inércia de pegar no telefone.

Expanda o seu calendário

Alguns casais usam uma estratégia interessante para manterem o seu relacionamento, que consiste em reservar tempo ao longo do ano. Por exemplo, dos cinco dias úteis, cada um tem um final de dia só para si. Pode ser para atividades ou para sair com amigos. E de 15 em 15 dias, fazem um programa a dois. De dois em dois meses, passam um fim de semana fora. Todos os anos tiram uma semana de férias a dois.

Este calendário pode ser adaptado a quase todas as realidades. Seja a casais com filhos, a grupos de amigos com quem se queira reunir mais vezes, ou a partes da família que estejam fora do país. Com opções mais caras ou mais económicas, com mais ou menos intervalo entre programas, tudo é possível e tudo começa com a iniciativa de uma pessoa.

É mais fácil restringir e ser mais produtivo nas suas horas de trabalho se tiver algo com que sonhar. Como que uma luz ao fundo do túnel, sob a forma de uma marcação de férias ou uma saída com quem mais gosta. Use isso a seu favor.

Por fim, é importante que sinta que estas mudanças podem ser graduais.

E que nem todas as pessoas conseguem, de um mês para o outro, educar-se a si mesmas, e à empresa onde trabalham, para o respeito pelo tempo pessoal. E é provável que, mesmo depois da mudança de hábitos, se apanhe a responder a um email de madrugada ou a ficar a trabalhar no sábado à noite. Mas, cada vez mais, procure que esses momentos sejam a exceção e não a regra.

Equilibre a sua vida social e a profissional, para que nenhuma das duas esteja em carência. E para que a sua saúde mental e emocional também esteja equilibrada.

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta
Instrutora de Yoga Suspenso, Gyrotonic e Gyrokinesis (aplicação na perda de mobilidade, prevenção de problemas músculo-esqueléticos, pré e pós-parto)

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