Dicas para enfrentar dias de stress

Dicas para enfrentar dias de stress

Enfrentar dias de stress não é novidade para a maioria da população adulta. Começa também a ser muito comum na vida dos jovens e das crianças.

Sabe-se que um nível moderado de stress pode ser positivo e funcionar como uma fonte de energia e motivação.

Pode eventualmente até aumentar a eficiência e produtividade nas tarefas. No entanto, quando se cruza a linha que separa o stress benéfico do stress destrutivo – e esta linha por vezes é muito ténue – os benefícios são anulados. Em vez de benéfico, dá lugar à correria, cansaço extremo, total perda de foco e a uma dose de desespero e sensação de falta de controlo sobre a vida diária. E isto não é bom para ninguém.

Muitas vezes não se trata de um stress totalmente gerado por fatores externos.

Mas antes de um stress vindo de dentro. A exigência de resultados rápidos, completos e perfeitos em todas as áreas da vida. Uma absurda quantidade de pequenas e grandes tarefas planeadas para cada dia. Sendo que, na maioria das vezes, existe a perfeita consciência que nem todas vão ser abordadas, quanto mais resolvidas. Este modo de pensar transmite ao cérebro uma sensação de trabalho inacabável, de constante falha e resultados aquém das expetativas.

É certo que não se pode escapar completamente ao stress diário no trabalho e em casa, mas existem formas de o dosear e gerir melhor.

Não adianta viver miserável durante a semana e largar tudo ao fim-de-semana. A vida vive-se todos os dias e há que tirar dela o maior partido. Veja (ou reveja) estas sugestões e comece a ser mais seu amigo nos dias de stress.

Escolha as suas batalhas

O dia é finito e não se consegue resolver tudo depressa e bem. Portanto, o mais sensato é escolher as batalhas desse dia. Normalmente, os autores sobre produtividade indicam que se dedique o dia a não mais que três tarefas principais. No entanto, terá sempre que ser adaptado a cada pessoa. Ter apenas três tarefas principais ajuda a manter o foco e a organizar melhor o dia. Quanto às outras tarefas, remove-se mentalmente a etiqueta “urgente”. Desta forma, reagendam-se conforme o seu real grau de importância. Na maioria dos casos, as “urgências” não o são realmente. Esta forma de pensar resulta do pensamento contagioso de “tudo para ontem”. A palavra de ordem é hierarquizar. Aqui cada um pode jogar com os seus padrões de produtividade. Sendo assim, as principais tarefas, ou mais complicadas, devem ser realizadas no seu horário de maior atenção, foco e produtividade.

Divida para conquistar

Quando há tarefas hercúleas, ou projetos mais complexos, faz sentido dividir essas tarefas por temas mais pequenos. Desta forma, poderá agir de acordo com o que é necessário para as completar. Há tarefas que necessitam que se durma sobre o assunto. Logo, não vale a pena andar o dia todo à sua volta sem nada concluir. Em vez disso, deve completar pequenas partes separadas por umas horas. Deste modo, vai ter tempo suficiente para encontrar as respostas e os desenvolvimentos mais intrincados, que levam à fase seguinte. Os vários compartimentos da tarefa podem ser articulados de forma inteligente, para que os possa realizar nas alturas mais propícias. No final, irá juntar as várias peças com maior facilidade, em vez de andar perdido em minudências. Essencial é não deixar para o fim as partes mais importantes de um projeto.

Delegue e crie competências

Delegar dá trabalho, e implica abdicar de um certo ideal de perfeição. Não é um processo fácil. Quer no aspeto de treinar outras pessoas, para realizar bem as tarefas, quer no aspeto de largar a ideia de só haver uma forma correta para fazer as coisas. Implica também algum tempo, paciência e uma sucessão de tentativas e erros. Mas a verdade é que, quanto mais delegar, mais se pode concentrar nos aspetos principais da tarefa em mãos. Ao mesmo tempo, cria competências nas pessoas à sua volta, montando uma rede de apoio muito valiosa. E com o potencial de aumentar a produtividade e motivação de todos.

Pausas, por favor

Pode parecer contraditório, mas fazer pausas é muitíssimo benéfico para gerir o stress. Mesmo que isso lhe roube tempo de trabalho. Parar dá espaço para criar clareza e voltar ao foco. Além disso, dá ao cérebro uma lufada de ar fresco, que permite descansar do contexto da tarefa, e utilizar outro conjunto de capacidades. Muitos dos grandes dilemas, e respostas a perguntas complexas, são precisamente alcançados quando se muda de contexto. Isto acontece inclusive durante o sono.

No entanto, parar não significa inatividade – aquele tipo de adormecimento cerebral, quando se distrai a ver redes sociais ou televisão. As pausas devem ser premeditadas, com significado e ter princípio e fim, isto é, algo que se possa antecipar com gosto. Aqui se vê que navegar nas redes sociais, ou ver um vídeo, podem ser boas pausas. No entanto, têm que ter significado e ser limitadas no tempo. Não é ver por ver, ou por aborrecimento. As pausas ideais são as que nos tiram do contexto. Num trabalho comum de escritório, um passeio ao ar livre é uma pausa melhor do que ver vídeos. Se trabalha sozinho, tomar café com um amigo ou colega é uma boa pausa. Se trabalha sempre rodeado de pessoas em brainstormings e reuniões, a meditação ou a leitura são excelentes pausas. Nem sempre há tempo para ir muito longe, mas a criatividade é uma boa aliada. Não é por acaso que grandes empresas, conhecidas pela produtividade, disponibilizam jogos, massagens e outros meios de distração aos seus trabalhadores. Curtas pausas, bem pensadas, valem horas de trabalho sem propósito.

Luz ao fundo do túnel

Já priorizou, organizou, limitou e delegou. O resultado: provavelmente ganhou tempo e qualidade de vida. Agora, não caia na armadilha de acumular mais tarefas, preenchendo o seu dia com falsas urgências. Em vez disso, invista o seu tempo numa atividade que se torne uma luz ao fundo do túnel. Se sempre sonhou aprender a dançar, cozinhar ou dominar mais uma língua estrangeira, por que não fazer aulas? Ou, se sonha com uma vida mais calma, aprenda a meditar, faça aulas de yoga ou simplesmente tire tempo para ler um bom livro e relaxar.

Use o stress a seu favor e não contra si. E, entretanto, seja o exemplo para quem está à sua volta. O stress é contagiante, mas a sua boa gestão também o pode ser.

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta