Rituais para nos desligarmos da tecnologia

Rituais para desligar da tecnologia

Nos dias de hoje somos constantemente solicitados pela tecnologia. Tanto na vertente pessoal como na profissional, são muitas as mensagens, comunicações, notícias, informações, utilidades, curiosidades e entretenimento, que disputam a nossa atenção e tempo, luxos cada vez mais escassos para dedicarmos ao que realmente importa. Durante o ano letivo e de trabalho, estas pequenas atenções aos vários ecrãs vão-se tornando rotineiras e mal damos por elas.

Mas o que acontece nas férias?

Antes do grande momento de descompressão sonhamos com sol, descanso e bom convívio, mas para muitos a realidade é que não é fácil “desligar”. As férias chegam a ser vividas como uma sucessão de oportunidades para fotografar, partilhar, mostrar, comunicar, e claro, ver o que andam a fazer os amigos e conhecidos. Isto torna-se um problema mais sério quando a invasão parte do ambiente profissional: há muitas pessoas a quem é exigida (pelos colegas, chefias ou pelo próprio) uma constante conexão e disponibilidade durante o tempo de férias. O resultado: durante as férias o sentimento acaba por ser de não ter aproveitado, nem o tempo de descanso de qualidade nem a boa companhia da família ou dos amigos.

Aqui ficam algumas estratégias para desligar da tecnologia em férias e aproveitar melhor a sua pausa anual

  • Troque os ecrãs por livros e atividades

Um livro é sempre boa companhia, e dá-lhe a oportunidade de se debruçar mais prolongadamente e a fundo sobre um tema ou história, ao contrário das leituras efémeras de posts, ou de sucessões aleatórias de fotografias. Ler é uma evasão e ao mesmo tempo é estar no tempo presente com total atenção, é um dos melhores descansos que o corpo e a mente podem ter. Se tem a família e os amigos como companhia, nada melhor do que jogos para passar o tempo: quebra-cabeças, enigmas, jogos de cartas, entre tantas outras opções. Se revisitar a sua infância encontrará certamente muitas ideias divertidas. Pode até ser um projeto para todo o verão! Quem não se entusiasma por construir uma casa na árvore ou acampar no jardim?

  • Limite o uso do telemóvel e/ou computador em situações-chave

Qual é a necessidade que tem de expor o seu gadget de última geração à areia, ao mar ou ao sol? Na praia, procure desfrutar daquilo que não tem disponível ao longo do ano, como os longos passeios à beira-mar, os mergulhos, jogos de bola ou simplesmente apanhar um pouco de sol. Se está com família e amigos e se juntam todos para jantar, tornem esse momento livre de tecnologia. Encorajem os mais pequenos a encenar e representar um pequeno teatro para os adultos. Os jogos de mímica ou adivinhas também são um excelente entretenimento. Não vale usar ajudas tecnológicas.

  • Se tem mesmo que utilizar a internet, designe momentos específicos para o fazer

Infelizmente, nem todas as pessoas se podem dar ao luxo de desligar completamente, mesmo em férias. Se esse for o seu caso, experimente designar uma ou duas fases do dia – por exemplo meia hora depois do pequeno-almoço e meia hora antes de fazer o jantar – para tarefas e consultas relacionadas com o trabalho. Pode até escrever uma mensagem automática para os seus interlocutores saberem a que horas consultará o email. Desta forma consegue reservar todo o resto do dia para si e abstrair-se do trabalho, não deixando que este invada o seu tempo mais do que o necessário.

  • Experimente fazer algo novo

Utilize o seu tempo de férias para experimentar uma prática nova para si, como as caminhadas, pequenas sessões de meditação, ioga ou alongamentos. Para os mais aventureiros, por que não experimentar desportos aquáticos ou radicais? Não só vai descobrir novas experiências como vai conseguir fazer por algumas horas algo que o entusiasme de tal forma que esquece a tecnologia por completo. Para quem não é dado à atividade física, ou para quem a faz todo o ano e procura variar, há também um leque de opções, desde cozinhar um prato novo a aprender uma língua (as revistas contam como instrumentos de aprendizagem informal). Pode também frequentar uma tertúlia, ou melhor, organizar uma com amigos, em que cada um tem 15 minutos para falar de um tema que o apaixona e responder às perguntas dos demais. Ficará surpreendido com o que pode aprender, mais do que num ano inteiro de posts e notícias-relâmpago.

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta