Tele-escola ou trabalho: quatro estratégias para descansar dos ecrãs

A pandemia trouxe um aumento exponencial de tempo de ecrã para a maior parte das pessoas. Para quem trabalhava com computador, o tempo aumentou, tomando conta do que antes era ocupado pelo contacto pessoal das reuniões, ou pelos simples intervalos de mudança de ambiente, quer a circular pelas salas, a falar com colegas ou em deslocações. Para outros, como os estudantes, deixou de ser um complemento para ocupar a quase totalidade dos tempos lectivos.

Para além deste tempo obrigatório, que os ecrãs ocupam na vida de muitos, uma parte das atividades lúdicas é também dependente de um ecrã. Os filmes, séries e redes sociais, que já antes da pandemia tinham o seu lugar, partilham agora o palco com aulas de desporto ou de atividades extra-curriculares online.

Este aumento significativo torna urgente encontrar um equilíbrio, procurando tempos e atividades que permitem descansar dos ecrãs.

Determine um horário de expediente

No final do dia de escola ou de trabalho, faça por encontrar uma atividade fora do ecrã para descansar. Seja um passeio na rua, exercício ou algo que dê só para ouvir – música, chamadas telefónicas, podcasts ou audiolivros – o importante é descansar os olhos da luz azul. Seja rigoroso com as horas e permita-se descansar.

Resista com força de vontade a consultar as redes sociais ou ficar a ver televisão sem prestar atenção.

Recupere atividades antiquadas

Estas atividades não têm que ser necessariamente jurássicas. Mas um bom puzzle espalhado numa mesa chama as pessoas da casa a colocar algumas peças, por exemplo. Uma noite de jogos de tabuleiro proporciona mais interação e diversão que uma noite de filmes. Desenhar ou escrever à mão ajudam a exteriorizar pensamentos de uma forma mais verdadeira que os equivalentes eletrónicos. E o bom e velho livro dá uma paz que um ecrã não consegue dar, por mais não seja que a associação que se faz entre este e trabalho.

Escolha a sua atividade analógica e homenageie os bons velhos tempos.

Doseie os ecrãs no fim de semana

É muito tentador ficar em casa a ver televisão ou a navegar nas redes sociais sem rumo ao fim de semana, mas o facto de esse estímulo ser muito semelhante ao das condições de trabalho pode comprometer a qualidade do descanso e do tempo livre. O fim de semana é a altura ideal para arejar, para fazer exercício ou passear no bairro em família, ou mesmo para um projeto em casa que há muito está por fazer.

Mesmo que vejam um filme, faça disso um momento intencional, quem sabe com votação para eleger o título dessa noite, pipocas e sala de cinema em casa, com mantas e muitas almofadas.

Dedique-se a atividades físicas

Por oposição ao tempo de ecrã, muito sedentário por definição, o tempo livre deverá equilibrar, tornando-se mais activo. Aproveite o tempo livre para se exercitar, alongar, correr, ou mesmo para atividades mais intelectuais, mas que ainda assim têm uma componente física, tais como trabalhos manuais e cozinhar. Se tem animais de estimação ou crianças, aproveite o tempo para brincar, longe dos omnipresentes ecrãs.

Tudo é melhor tolerado quando existe um equilíbrio. E se, por um lado, é inevitável que num tempo de pandemia, a continuidade das atividades implique um maior uso do ecrã, a forma que se escolhe para contrabalançar essas horas pode ser determinante na qualidade de vida e na resiliência a estes tempos de maior isolamento e maior tendência à ansiedade e à depressão. Tome conta do seu dia e procure ativamente fugir dos ecrãs quando pode.

Encontre o seu equilíbrio.

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta
Instrutora de Yoga Suspenso, Gyrotonic e Gyrokinesis (aplicação na perda de mobilidade, prevenção de problemas músculo-esqueléticos, pré e pós-parto)