Como lidar com o Stress e controlar a Fome Emocional

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Como abordado no artigo “O que é a fome emocional? E como podemos controlá-la?”, a fome emocional diz respeito a uma sensação desencadeada por estímulos de natureza psicológica, que tem como efeito a ingestão de alimentos que o organismo não necessita, sendo as calorias extra mais difíceis de gastar. Este comportamento pode promover tanto o aumento de gordura corporal como o aumento de peso.

Um padrão comportamental associado à fome emocional é aquele em que uma pessoa ingere alimentos para aliviar o stress, ou seja, o prazer de comer é utilizado para mascarar o stress e outros tipos de tensão com os quais lidamos no dia-a-dia. Muitas vezes, até de modo inconsciente, e, principalmente, na impossibilidade de resolver as causas do problema que geram stress ou na recusa de lidar com a situação problemática, a comida torna-se um recurso utilizado para manipular emoções e sentimentos. Por outras palavras, não conseguindo, ou não querendo lidar com um problema que gera stress, a comida é utilizada para manipular a forma como nos sentimos em relação ao problema, o que no imediato gera uma sensação de bem-estar. Esta sensação de bem-estar, que tem duração reduzida de cerca de 10 minutos, é também resultado da produção de hormonas como a dopamina e a serotonina (hormonas do bem-estar e do prazer), associadas à ingestão de alimentos, nomeadamente de hidratos de carbono.

Para controlar a fome emocional, particularmente quando essa sensação decorre de episódios stressantes, pode utilizar algumas das seguintes dicas:

  1. Pergunte a si próprio(a): “como surgiu a sensação de fome?”, “como me sentia antes de ter fome?”; “estava mais ou menos calmo(a)?”. Se as respostas a estas questões lhe indicarem que existiu alguma mudança no seu estado de espírito que despoletou a sensação de fome, como no decorrer de um episódio stressante, o ideal é abandonar, momentaneamente, o local onde se encontra. Sair do local onde surgiram quer o episódio stressante, quer a sensação de fome é importante para levar o cérebro a ver outros estímulos, e a desfocar a atenção das emoções e sentimentos ativados nesse momento.
  2. Respire profundamente, pois a respiração correta ajuda no autocontrolo emocional, nomeadamente, a controlar impulsos e a induzir estados de maior tranquilidade, assim como a reduzir o stress.
  3. Visualização positiva, pois a utilização de imagens mentais positivas pode ajudar a ativar sensações de bem-estar, felicidade e tranquilidade capazes de reduzir o stress e outros tipos de tensão.
  4. Desenvolver alguma atividade motora, como uma pequena caminhada, mesmo que seja dentro do edifício onde reside, ou trabalha. Esta atividade é importante para o organismo gastar o excesso de cortisol (hormona do stress) que se encontra em circulação na corrente sanguínea, bem como para ativar a produção de endorfinas, hormonas que desencadeiam a sensação de bem-estar quando desenvolvemos atividade física.
  5. Utilização das Emotional Freedom Techniques (EFT), que respeitam a um conjunto de técnicas para aliviar o stress e a dor. As EFT consistem em pressionar pontos-chave em diversas zonas do corpo – mãos, o rosto, a cabeça e a zona do peito, entre outras – para libertar a tensão acumulada e induzir estados de tranquilidade, para além de outros efeitos positivos na saúde física e psicológica. Por exemplo, a estimulação da zona do peito com leves batidas, ao mesmo tempo que se respira profundamente, é extremamente útil para reduzir a ansiedade.

As técnicas de gestão do stress e de controlo da fome emocional descritas, quando utilizadas corretamente, permitem contrariar o hábito de se utilizar a comida como mecanismo de compensação para aliviar o stress. Não obstante, estas técnicas devem ser acompanhadas de uma análise profunda dos fatores que desencadeiam stress, assim como das ações necessárias para eliminar esses fatores pois, caso contrário, a aplicação das técnicas, por si só, apenas surtirá efeitos de curto prazo.

Júlia Marçal (Psicóloga Social)
Autora do livro “A Comida como Almofada Emocional – Porque comemos sem ter fome?”