Como reduzir os plásticos de uso único na alimentação

A preocupação mundial com o plástico está a aumentar, sobretudo em relação aos seus efeitos nocivos no ambiente e na saúde, e à insuficiência dos esforços para o reciclar e reduzir. É certo que se trata de um problema complexo e que é preciso ir muito além das medidas tomadas em cada vida pessoal e familiar para obter um resultado eficaz. Mudar as políticas do país e regular de forma mais restrita o uso de plástico nas várias indústrias, bem como aumentar e rentabilizar a sua reciclagem são certamente os fatores-chave para a resolução deste problema. Por outro lado, os consumidores, ao escolherem criteriosamente onde gastam o seu dinheiro, estão a incentivar determinadas práticas em detrimento de outras.
Se uma família compra trinta garrafas de água por mês, está a estimular a oferta das mesmas, ao invés do que aconteceria se comprasse quatro garrafas reutilizáveis de uma vez e reduzisse significativamente o uso de garrafas de plástico daí em diante. Além deste efeito na oferta e na procura, é importante a mudança de mentalidades, para que se volte a orientar os hábitos em torno do reutilizável, que se procure remendar ou consertar antes de substituir, e que se reduza o desperdício em várias áreas do dia-a-dia.
Neste contexto, aqui ficam algumas dicas para a redução dos plásticos de uso único na alimentação. Não será de todo uma lista exaustiva, nem se pretende criticar quem não quiser ou não conseguir segui-la. Como em tudo, o importante é começar pelos pequenos gestos, por mais pontuais que sejam.

Siga estas dicas

Manter um kit de compras no carro
Se costuma ir de carro para fazer as compras de supermercado, procure ter sempre um conjunto de sacos para compras, saquinhos reutilizáveis para fruta e legumes – inclusive um ou outro saco de plástico para reutilizar, caso precise de comprar legumes que venham molhados ou com restos de terra – e um saco térmico ou lancheira para os congelados. Assim, além de poupar dinheiro nas suas compras, ver-se-á livre do monte de sacos e saquinhos que ficam em casa à espera da sua vez para serem reutilizados.
Também pode fazer um mini kit de compras para a sua mala, com um ou dois sacos de pano dobrados e prontos a usar. Estes tornam-se úteis não só para as compras de supermercado de última hora a caminho de casa como para todas as outras compras e ocasiões em que se precisa de um saco. Se esta dica lhe parece incipiente, experimente fazer as contas: com as idas regulares ao supermercado, as compras que faz noutras lojas e os legumes e frutas que embala, quantos sacos utiliza? É fácil chegar às várias dezenas, se considerar sacos de uso único. Poderá poupar uma grande parte disso se tiver os seus reutilizáveis à mão.

Comprar a granel
A maioria das grandes superfícies têm uma secção de alimentos a granel, incluindo cereais, massas, arroz, farinhas, açúcar, frutos secos, chás e cafés, doces e especiarias, entre outros. Pode levar os seus saquinhos de algodão ou rede e abastecer-se sem embalagens.
Em algumas lojas pode também encontrar líquidos e produtos para higiene ou limpeza, bem como a opção de utilizar a tara, isto é, trazer os seus próprios recipientes de casa e descontar o seu peso vazio ao peso cheio, pagando apenas o conteúdo. Nos produtos frescos, procure comprar a granel, evitando as caixas e os invólucros de plástico que tantas vezes acompanham estes alimentos. Mais uma vez, utilize os seus saquinhos de tecido ou traga as suas caixas de casa. Se não está satisfeito com a oferta de produtos a granel no seu supermercado do costume, utilize a caixa de sugestões para transmitir essa ideia.
Nas secções de queijos e enchidos pode também levar o seu próprio invólucro. Há uns tecidos embebidos em cera de abelha que visam substituir o papel de alumínio e a película aderente, que são excelente opção. Para os fechar de forma mais eficaz pode também reutilizar os elásticos que vêm com alguns legumes ou usar um pouco de fio de algodão.

Comidas e bebidas
Esta é uma área com grande quantidade de desperdício, sobretudo em países como os EUA ou o Reino Unido, que há décadas dão primazia ao take-away e à conveniência dos plásticos de uso único. Por toda a Europa existe até a tendência de pagar menos por uma refeição para comer fora do restaurante – fornecida em recipientes e com talheres de plástico – do que pelo equivalente para comer no restaurante, usando loiça e talheres reutilizáveis.
Apesar de em Portugal só recentemente se ter generalizado o uso de plásticos descartáveis na alimentação, tendo havido um grande aumento com a popularidade dos serviços de entregas em casa, esta não deixa de ser uma questão importante. Se costuma pedir refeições para levar, nada como a boa e velha caixinha – de plástico reutilizável, vidro, metal ou bambu – para transportar a comida que pediu. Se lhe acrescentar talheres laváveis, uma garrafa e um copo ou caneca (há quem inclua o guardanapo de pano e a palhinha de metal ou bambu), terá o kit completo para a alimentação.
Há uma grande variedade de oferta nestes reutilizáveis, e o conjunto pode ser feito de forma a ser leve e não ocupar muito espaço. Deverá ter este kit – todo ou dividido em partes – no sítio mais conveniente: o escritório, a mala do carro ou a mala de mão.
Se costuma pedir um café para levar todos os dias úteis, e se encomenda o almoço numa caixa de plástico, já são cinco vezes todo o material utilizado para o lixo numa semana, vinte vezes num mês típico. Não é preciso chegar ao ponto de andar com loiças no carro, mas basta identificar quais são os seus hábitos que implicam plástico descartável e substituir esse item específico pela versão reutilizável.
Em relação às garrafas de metal, vidro ou plástico reutilizáveis, pense na quantidade de vezes que vai ao ginásio ou se serve de um copo de água do dispensador no escritório. Se tiver uma garrafa consigo poderá enchê-la na torneira quantas vezes quiser, poupando muito plástico em forma de copos e garrafas. Outra dica muito simples é preferir o cone ao copo quando come gelados. Fica a ganhar em sabor e reduz o lixo de difícil reciclagem, como é o caso dos copos para gelado.

Experiências culinárias
Para evitar ainda mais a compra de embalagens, e se tem algum jeito e gosto pela cozinha, pode experimentar fazer alguns dos seus molhos de compra em casa.
Exemplos disso são o pesto, a maionese, o molho de tomate para a massa, a mostarda, o ketchup, o húmus e o guacamole. Há muitas receitas disponíveis, online e em livros. Além de ficar com tudo a seu gosto, reduz a quantidade de sal, gordura e açúcar ingeridos na maior parte dos casos e poupa a compra de embalagens que iriam para o lixo ao fim de uma utilização.
Estas dicas são um exemplo de que é possível reduzir muito do plástico que vai parar ao lixo ou à reciclagem com hábitos muito simples e fáceis de implementar. Quem sabe um dia as políticas quanto ao lixo e ao plástico vão tornar-se mais restritivas, e já deu um passo para se adaptar a essa mudança confortavelmente. Entretanto, o ambiente agradece e a sua carteira também.

 

 

Teresa Fernandes, Fisioterapeuta
Instrutora de Yoga Suspenso, Gyrotonic e Gyrokinesis (aplicação na perda de mobilidade, prevenção de problemas músculo-esqueléticos, pré e pós-parto)

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