Marisa Silva – um exemplo no Dia Europeu sem Carros

Responsável com… Marisa Silva

Utiliza a bicicleta todos os dias, para ir e voltar da fábrica de pescado do Jumbo, em Peniche, onde trabalha. Fomos perceber as razões da sua motivação e descobrir as vantagens que daí retira.

1. Explique-nos um pouco o que é ser responsável operacional na fábrica de pescado do Jumbo?
Faço a gestão do trabalho de uma equipa de 12 pessoas, que têm de garantir diariamente o envio do pescado para todas as lojas do Jumbo, de norte a sul do país, e de acordo com as necessidades do cliente.

2. Sabemos que usa a bicicleta como meio de transporte. Quando foi que se lembrou que esta podia ser uma boa opção?
Sou de uma aldeia perto da Figueira e desde pequenina que ando de bicicleta. Numa aldeia há muito mais liberdade para andar de bicicleta. E é daquelas coisas que não se esquece. A primeira bicicleta, a primeira queda, etc. Quando chegamos a outra cidade ou local, sentimos falta das nossas origens e no meu caso foi a bicicleta.

3. Quais são as suas motivações para utilizar a bicicleta como meio de transporte?
Inicialmente usava apenas para passeios. Até à praia, por Peniche… É uma cidade pequena e no verão o trânsito duplica. Quando vinha de carro para o trabalho demorava o dobro do tempo, apesar da minha casa ficar apenas a 1,5km da fábrica.
É uma questão prática e de bem-estar. Pegar no carro implica pegar na chave, estacionar, etc. Nesse aspeto a bicicleta é super prática.

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4. Mas há também outro tipo de benefícios (económicos, por exemplo). Poupa muito com esta opção?
Junta-se o útil ao agradável. Não gastamos dinheiro, não poluímos o ambiente e ainda estamos a fazer exercício.Trabalhamos toda a parte das pernas, da barriga, etc. Ou seja, é um exercício físico completo e não há aquela obrigação de ir ao ginásio.

5. O que lhe dizem os seus colegas acerca desta opção?
Acham muito engraçado e apoiam bastante a minha iniciativa. Ando a tentar convencer os colaboradores aqui da fábrica a aderir à ideia. Já consegui fazer com que pelo menos 3 deles se tornassem adeptos.

6. Faz outros percursos de bicicleta ou utiliza apenas para as deslocações entre a casa e o trabalho?
Todos os fins de semana acabo por dar uma voltinha de bicicleta. É daqueles gostos que quando se ganham nunca mais se voltam a perder.

7. Que outras práticas responsáveis tem no seu dia-a-dia?
Aqui na fábrica fazemos a separação do lixo e dos consumíveis. A nível mais pessoal tento limitar ao máximo o uso de papel para impressões, por exemplo. Só imprimo mesmo o que preciso.

8. Para algumas pessoas pode ser difícil concretizar a mudança. Escolher e comprar a bicicleta e o equipamento, alterar as rotinas, etc. Que conselhos ou dicas pode dar a essas pessoas?
O mais importante é ganhar vontade. As pessoas não devem pegar na bicicleta por obrigação mas sim pela satisfação que lhes dá. Depois é preciso escolher uma bicicleta adequada à utilização – desporto ou lazer. E já existe oferta de bicicletas para todos os gostos e carteiras. Depois há o capacete, que também convém utilizar. Mas o maior investimento é mesmo a bicicleta que é um meio de transporte que quase não precisa de manutenção.

9. O que poderia ser feito para melhorar a vida de quem opta pela bicicleta?
Aqui em Peniche dentro da cidade não temos quaisquer vias exclusivas para bicicletas, o que é uma pena e dificulta bastante a vida de quem toma esta opção. Há bastantes pavimentos irregulares e não há margem para distrações. As estradas deviam ser recuperadas para facilitar a circulação.
No exterior da cidade temos algumas ciclovias. Temos uma que vai até ao Baleal e é fantástica.

10. Pode ser considerado um meio mais perigoso, pois convive com os veículos motorizados na estrada?
Hoje em dia as pessoas estão mais sensibilizadas mas ainda assim há muitos automobilistas que não respeitam. Mas há também alguns ciclistas que não respeitam as regras. Não param nos semáforos, não atravessam as passadeiras com a bicicleta pela mão… É preciso sensibilizar toda a gente. Automobilistas e ciclistas.

11. Assinalar o Dia Europeu Sem Carros é uma iniciativa que acha importante? Como é que pode influenciar a atitude das pessoas?
É uma iniciativa que devia ser alargada a todo o mundo. E seria importante sensibilizar as pessoas desde cedo. Por exemplo, uma boa notícia é que muitas instituições de ensino (universidades e institutos) conseguiram financiamento europeu para adquirirem cerca de 3.000 bicicletas. Se os estudantes e os próprios professores levarem mais em consideração este tipo de mobilidade, futuramente será muito mais fácil implicar as pessoas.