Os nossos pets podem contrair Covid-19?

Numa altura em que o novo coronavírus, Covid-19, já tem casos confirmados em humanos, em Portugal, importa saber se os nossos pets também podem ser afetados.

Assim, e com base em alguns estudos e opiniões de peritos, reunimos as informações que, esperamos, ajudam a esclarecer os donos de animais domésticos.

Os animais podem transmitir o novo coronavírus aos humanos?

Tudo indica que não. Há registo de um cão que foi infetado, na China, tendo-lhe o vírus sido transmitido pelo seu dono. Isto parece demonstrar que os animais podem contrair Covid-19. No entanto, o cão não teve qualquer sintoma, não existindo evidência que pudesse transmitir o vírus a humanos.

No último surto semelhante, de SARS-CoV, estudos demonstraram que os animais contraíam o vírus. Mas, não só não ficavam doentes, como também não eram transmissores a humanos.

Por uma questão de prevenção, o Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) recomenda que pessoas infetadas tenham menor contacto com os seus animais. E, claro, tenham os cuidados de higiene reforçados, depois de tocarem nos seus pets.

Que medidas de prevenção devem os donos adotar, quando os seus animais tomem contacto próximo com pessoas infetadas ou suspeitas de estarem infetadas?

Limitar o contacto

Embora não exista evidência que os animais possam ficar doentes, ou serem transmissores, é um facto que humanos e animais partilham algumas doenças. Assim, é adequado limitar o contacto entre animais e pessoas infetadas, até que se tenha mais informação deste vírus.

Reforçar comportamentos de higiene básicos

Quando em contacto com o seu animal, deve adotar alguns comportamentos e medidas de higiene comuns:

  • Lavar as mãos, antes e depois de mexer no seu animal, na comida ou água
    Evitar beijar e lambidelas ou mesmo a partilha de comida
  • Se a pessoa infetada for o próprio dono, o ideal será ser outra pessoa a assumir o papel de cuidador. Adicionalmente, o dono deve usar máscara, para proteger o seu animal de contrair o vírus.
Referências:

FAQs

Estas perguntas e respostas foram emitidas pela Ordem dos Médicos Veterinários.

A transmissão do coronavírus faz-se de humanos para humanos através de secreções e aerossóis. Até agora não há qualquer evidência científica consistente de que os cães e gatos ou outros animais de companhia possam ser transmissores ou sequer albergar o vírus da COVID-19. Muitas espécies de mamíferos apresentam infeções por outros coronavírus, mas que são muito diferentes daquele que causa a COVID-19. Nem esses vírus infetam os humanos nem é provável que o coronavírus da COVID-19 infete outras
espécies.

Sim. É verdade que na sequência da infeção de uma pessoa em Hong Kong, foi feito um teste para deteção do vírus ao seu cão de raça Pomerânia com 17 anos de idade. O cão foi separado do dono e posto em quarentena a 26 de fevereiro. O cão foi testado através de zaragatoas do aparelho respiratório e gastro intestinal num laboratório oficial do Ministério de Agricultura e Pescas, e, posteriormente, num laboratório de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong, acreditado pela OMS. Ambos laboratórios obtiveram os mesmos resultados. As zaragatoas do aparelho respiratório (nasais e orais) testaram fracamente positivas para COVID-19 nos dias 27 fevereiro, 28 de fevereiro, 2 de março e 5 de março. As zaragatoas intestinais testaram negativas em todas as quatro datas.

O cão foi, entretanto, foi libertado da quarentena porque dois testes consecutivos ao vírus foram negativos. O mesmo cão veio a morrer já em casa dos detentores, mas sem qualquer sinal de doença por coronavírus. A idade (esta raça tem uma expectativa de vida de 12 a 16 anos) e problemas cardíacos crónicos, provavelmente agravados pelo stress, são consideradas as causas mais prováveis da morte.

Resultado “fracamente positivo”, significa que uma pequena porção de RNA do vírus COVID-19 está presente na amostra. No entanto, não distingue se estão presentes vírus intactos, que são infeciosos, ou apenas fragmentos do RNA viral, que não o são. Os peritos da escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong e a OMS pensam que a consistência e a persistência dos resultados sugerem que o cão tinha um baixo nível de infeção com o vírus COVID-19. Apesar de oficialmente se admitir estarmos em presença de uma infeção humano- animal, isto é ainda especulativo e será necessário continuar a investigar. De referir que se trata de um caso isolado, sem sintomas e por isso com reduzida validade

Não há qualquer justificação nesta altura para tomar medidas que afetem o bemestar dos animais de companhia e as relações destes com os seus cuidadores e outros humanos. Por exemplo, passear o cão não apresenta risco acrescido desde que sejam tomados os cuidados gerais amplamente divulgados – manter a distância recomendada de outros humanos, evitar tocar na cara, boca ou olhos e lavar/desinfetar as mãos a ao regressar a casa. Ter um animal de companhia não é considerado um fator de risco.

No entanto, todos os que convivem com animais de companhia são aconselhados a lavar muito bem as mãos depois de interagir com os seus animais. Também não devem deixar os animais lamber a cara nem ter acesso às camas dos humanos. É ainda recomendável a higienização das patas dos animais após os passeios no exterior.

Não. O princípio da precaução diz-nos que não. Dever-se-ão tomar todas as medidas para que o animal de companhia não contacte com a pessoa infetada ou suspeita. Se tal não for possível, aqueles que estiverem infetados, com ou sem sinais clínicos, ou mesmo suspeitos, devem usar máscaras sempre que entrarem em contacto com os seus animais.

Se possível identifique e combine com uma outra pessoa para tratar do seu animal, de preferência alguém que viva na sua casa, já que manter o animal no seu ambiente não é um risco e representa sempre uma mais-valia para o animal. Tenha em casa alimento (e, se necessário, medicamentos) para o seu animal para pelo menos 15 dias.

Primeiro que tudo contacte por via telefónica o seu Médico Veterinário assistente a solicitar instruções. Na situação atual, é natural que o seu Médico Veterinário tente resolver as situações menos urgentes sem a necessidade de se deslocar ao CAMV com o animal.

Se estiver infetado ou em quarentena, nunca leve o animal ao Médico Veterinário sem o contactar primeiro, assim como às autoridades sanitárias. É muito importante que o CAMV saiba que irá receber um animal proveniente de um local infetado ou suspeito.

Neste momento não existe um teste específico para animais, se bem que estejam a ser investigadas formas de despistagem em animais. De qualquer forma, as prioridades neste momento de crise são outras: testar humanos.

A EFSA (Agência Europeia para a Segurança Alimentar) está a monitorizar de forma atenta a pandemia do coronavírus-COVID-19 que neste momento afeta a totalidade dos países europeus. Quanto à possibilidade de o vírus poder ser transmitido através dos alimentos, esta agência reafirma de que não existe qualquer evidência de que tal aconteça. Aliás, referem que a experiência com surtos semelhantes de coronavírus
(SARS-CoV e o chamado Síndrome Respiratório do Médio Oriente ou MERS-CoV) mostra que a infeção através dos alimentos não ocorre.

Também a ASAE emitiu um comunicado semelhante do qual se realça o seguinte texto:

“Tomando em consideração todos os estudos científicos levados a cabo até ao momento, não existe evidência de qualquer tipo de contaminação através da ingestão de comida cozinhada ou crua. Contudo, e aplicando o princípio da precaução, o reforço das medidas de higiene e limpeza é altamente aconselhado porque as boas práticas reduzem claramente a concentração de vírus e diminuem eficazmente a probabilidade de contaminação.”

Em resumo: não existe qualquer evidência até à presente data que a transmissão do Coronavírus possa ocorrer através da ingestão de alimentos.

Apesar dos conhecimentos sobre este coronavírus serem ainda bastante escassos, a ciência apresenta diariamente novos factos. A Associação Mundial de Veterinários Especialistas em Animais de Companhia (WSAVA) e a Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), aconselha todos os detentores de cães ou gatos que vivam em áreas infetadas com COVID-19, a ir seguindo as informações emanadas apenas de fontes credíveis (OMS, DGS).

A situação está a desenvolver-se muito rapidamente. A OMV tentará transmitir toda e qualquer informação relevante à medida que esta esteja disponível, quer seja através da comunicação social quer seja através dos seus membros. Na dúvida, contacte o seu Médico Veterinário para que este lhe possa transmitir informações fiáveis.