Como conquistar a confiança do gato?

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Os felinos são animais ariscos e por vezes desconfiados por natureza. Não pode esperar que um gato tenha o mesmo comportamento de um cão. Os gatos aproximaram-se dos humanos há milénios por interesse mútuo – caçavam ratos dos celeiros o que era útil para ambos. Poder-se-ia dizer que têm um “acordo de cavalheiros” com os humanos. Com o tempo as relações tornaram-se mais amistosas e os laços entre as espécies mais fortes.

Os gatos de casa aceitam uma proximidade física dos humanos e em particular dos seus cuidadores. Reconhecem o carinho e são agradecidos relativamente à proteção e cuidados que recebem. Quando se sentem seguros e protegidos tornam-se carinhosos e apreciam a presença dos tutores, valorizando o contacto físico. Mas isso não acontece de um dia para o outro!

É preciso tempo e alguma serenidade.

Dar tempo ao tempo

Para ganhar a confiança dum gatinho é preciso ser paciente e ter calma. É importante dar espaço ao gato, respeitar o seu espaço e não forçar o colo. O gato vai reconhecer quem o protege e o alimenta e vai aproximar-se progressivamente.

Criar um espaço dedicado para comer

Os gatos gostam de se sentir seguros quando comem, bebem e fazem as suas necessidades. Para que o gato esteja calmo é preciso que se sinta seguro. Assim, é importante criar um espaço que ele reconhece como seu, onde se pode alimentar em segurança. Relativamente à caixa de areia é necessário que esteja afastada da zona de alimentação, porque senão o gato não vai comer. Os gatos são muito sensíveis ao cheiros e se acharem que a comida ou a água está contaminada, simplesmente não comem. É por isso que alguns gatos apenas bebem água em movimento (de fontes, ou torneiras por exemplo).

Criar um espaço dedicado para a higiene

Quando fazem as suas necessidades na natureza os gatos sentem-se vulneráveis e escolhem sempre locais em que podem ocultar a sua presença e tentar anular os odores o mais possível. Em casa acontece o mesmo, a casa de banho é um “assunto privado” (eles adoram as caixas de areia com tampa, para se poderem esconder). Tenha também muita atenção à higiene e substitua a areia com frequência porque se cheirar mal eles também não vão usar a caixa de areia.

A higiene do gato também inclui escovar o pelo. Os gatos saudáveis fazem a sua higiene diária: lambem o pelo para retirar o pelo morto, limpam as remelas e afiam as unhas. Existem até alguns gatos que para manter as unhas curtas, além de afiarem, cortam as unhas com os dentes. Este ritual de higiene também pode incluir escovar o pelo com uma escova apropriada e acaba por ser uma interação prazerosa para gatos e tutores. De tal forma que, se eles se habituarem, pedem para serem escovados e escolhem eles próprios os locais que mais apreciam.

Afiar as unhas: por mais desagradável que seja, o gato afiar as unhas nos sofás lá de casa é importante perceber que é um comportamento essencial para manter as patas saudáveis. Não se zangue quando ele o fizer, em vez disso coloque-o logo no local onde deve afiar as unhas. O ideal é tentar habituar desde cedo o gatinho a afiar as unhas em locais próprios. Instale no seu espaço um tapete apropriado para afiar as unhas e a adesão será relativamente fácil. Se o gato não aderir de imediato pode colocar um pouco de erva gateira seca que ajuda (alguns arranhadores de corda ou cartão são vendidos já com um saquinho de erva gateira).

Com tudo isto o gato vai ganhar confiança e começar a sentir-se parte da família. É natural que se aproxime mais do tutor mas com o tempo também vai “adotar” os restantes membros da família. Se tiver crianças ele vai perceber que é com eles que se brinca. Deve também ensinar as crianças a interagir com o gato: não gritar, não apertar o gato, e considerar que os gatinhos agarram os objetos com as unhas e mordiscam para brincar. Os brinquedos para gatos são o ideal porque permitem uma interação sem correr grandes riscos de se magoarem: ratinhos de pano, bolas, canas de pesca com um brinquedo na ponta, etc.

Associação positiva

Tal como os cães os gatos também conseguem associar pessoas, comportamentos e recompensas. Mimos e pequenos petiscos em situações positivas funcionam. Contacto físico Com todos estes cuidados é natural que seja o gato a aproximar-se fisicamente do tutor, seja saltando para o colo para se aninhar e dormir, seja esfregando-se nas pernas ou nas mãos. Aproveite esses momentos para dar mimos e fazer festas.

Conversar

Fale com o gato num tom carinhoso porque a serenidade da voz também é reconfortante. Repita desde cedo o nome dele e verá que o gato vai reconhecer muito rapidamente o seu nome. Os gatos também aprendem palavras e está comprovado por vários cientistas que criaram miados adaptados à interpretação humana diferentes dos que usam com os pares.