Sabia que, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), um em cada quatro adultos e quatro em cada cinco adolescentes não praticam exercício físico suficiente o que se estima que resulte em até cinco milhões de mortes por ano a nível mundial.
É de lembrar que a atividade física regular é fundamental para a prevenção e controlo de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e cancro, para além de ajudar a reduzir os sintomas de depressão e ansiedade, “reduzindo o declínio cognitivo” e melhorando a memória e saúde do cérebro. Não é, por isso, de estranhar que a OMS tenha lançado em 2020 novas linhas orientadoras sobre a atividade física, tendo revisto para o dobro a recomendação do tempo médio semanal que deve ser dedicado à atividade física.
Segundo estas linhas orientadoras toda a população, independentemente da faixa etária, deve praticar atividade física regular:
- Crianças e adolescentes do 5 aos 17 anos: 60 minutos por dia de atividade moderada a intensa
- Adultos entre os 18 os 64 anos: 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada ou de 75 a 150 minutos se a intensidade for intensa
- Mulheres grávidas ou no pós-parto: 150 minutos por semana de atividade moderada
- Idosos com 65 ou mais anos: 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada ou de 75 a 150 minutos se a intensidade for intensa
É de salientar que, quando se fala em “atividade física”, não se fala obrigatoriamente de ginásio ou de treino profissional, antes pelo contrário. Na atividade física todos os movimentos contam: desde o desporto ao trabalho, integrando exercícios no dia-a-dia, mas também a fazer jardinagem, a caminhar ou a dançar. Cada pessoa pode e deve procurar fazer o que gosta e lhe dá prazer, até porque essa será a única forma de não desistir ao fim de uma semana e de manter a atividade física de forma regular.
Agora que estamos a chegar à primavera, porque não experimentar a jardinagem?
Conheça alguns benefícios que a jardinagem pode trazer para a sua saúde:
– Promove a actividade física evitando o sedentarismo: cavar, apanhar ervas daninhas, usar o ancinho ou plantar ativa vários grupos musculares pelo que a jardinagem é considerada uma atividade física plena.
– Redução do stress: um estudo publicado no Journal of Health Psychology que avaliou o impacto da leitura e da jardinagem em casos de stress agudo concluiu que a redução do stress é mais significativa no grupo da jardinagem. Porquê? Porque estima-se que 30 minutos a jardinar ao ar livre diminui os níveis de cortisol, a hormona do stress.
– Cria desafios, mantendo o cérebro e o corpo ativos: na jardinagem estamos a cuidar de seres vivos, com características e necessidades variáveis de acordo com as estações do ano, o que implica diversidade de tarefas a realizar ao longo do tempo. Quebra a rotina, estimulando o interesse e a aprendizagem e criando objetivos.
– Benefícios específicos para os mais idosos: aumenta a destreza manual, o tónus muscular nas mãos e a força de aperto (capacidade de agarrar objetos que tende a enfraquecer com a idade).
Mas antes de começar a tratar do jardim lá de casa lembre-se do seguinte:
– Certifique-se que tem a vacina do tétano em dia;
– Use repelente de insetos;
– Evite subir escadotes ou manobrar máquinas ou ferramentas sem estar acompanhado;
– Utilize luvas e calçado confortável, com uma sola com boa aderência para evitar quedas;
– De preferência faça a sua jardinagem nas horas de menor calor. Aproveite para ter uma exposição direta ao sol durante 15 a 20 minutos (sem protetor solar e com os antebraços destapados), isto é o suficiente para o corpo produzir a vitamina D necessária. Depois deste tempo, o recomendado é que coloque protetor solar e tape os braços por completo.
Jardine, pela sua saúde!
Referências bibliográficas:
Programa Nacional Para a Promoção da Atividade Física (PNPAF), da Direção Geral da Saúde (DGS) (2020). Recomendações da OMS para atividade física e comportamento sedentário: Resumo, versão portuguesa. Consultado em 8 de Março de 2023. Disponível em: https://www.dgs.pt/programa-nacional-para-a-promocao-da-atvidade-fisica/ficheiros-externos-pnpaf/traducaopt_guidelinesoms20201.aspx
Agnes E. Van Den Berg (2010). Gardening Promotes Neuroendocrine and Affective Restoration from Stress, 16, 1. Consultado em 8 de Março de 2023. Disponível em https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1359105310365577
Centers for Disease Control and Prevention – Agency for Toxic Substances and Disease Registry. Safe Gardening, Safe Play, and a Safe Home. Consultado em 8 de Março de 2023. Disponível em: https://www.atsdr.cdc.gov/sites/springvalley/svgardening.html
Serviço Nacional de Saúde – Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (2020). Vitamina D em tempos de confinamento social. Consultado em 8 de Março de 2023. Disponível em: https://www.insa.min-saude.pt/vitamina-d-em-tempos-de-confinamento-social/

Cátia Gouveia Miguel
Nutricionista Auchan – Especialista em Nutrição Comunitária e Saúde Pública
Ordem dos Nutricionistas Nº 1757N